sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Extrativista continua ameaçada de morte
Com medo de ser assassinada a qualquer instante. É desta forma que a extrativista Laisa Santos Sampaio vive no projeto de assentamento Praialtapiranheira, em Nova Ipixuna.
Teme ter o mesmo fim que a irmã dela, Maria do Espírito Santo, assassinada no dia 24 de maio de 2011, juntamente com o marido dela, José Claudio Ribeiro da Silva.
Constantemente a extrativista denuncia que recebe recados ameaçadores. Os apócrifos, ora vem alertando, ora vem ameaçando veladamente.
Uma tocaia já foi montada recentemente às proximidades da entrada principal do lote dela onde vive com a família.
Os homens, protegidos por capacetes apareceram de repente numa precária estrada que dá acesso ao lote dela. Ambos estavam protegidos por capacetes.
Naquela ocasião ela gritou e os dois suspeitos saíram do mato, apanharam uma moto que estava próxima e saíram do local rapidamente.
O casal de extrativistas José Claudio e Maria foi assassinado por discordar da venda de lotes dentro do assentamento.
A outra frente de atuação de ambos era para defender a floresta, sobreviver dela sem que fosse necessário derrubar.
Desenvolviam no assentamento a política da sustentabilidade, extrair os bens naturais sem ser necessário derrubar as árvores e assim contrariaram os interesses de diversas pessoas e podem ter sido assassinados por conta desta postura defensiva da natureza.
Após a morte do casal, Laisa Sampaio assumiu o papel de continuar a luta dos trabalhadores rurais e desenvolve, juntamente, com sete mulheres a produção de diversos cosméticos, entre eles, sabonete, hidratante, pomada cicatrizante e repelente, todos feitos à base de andiroba.
Diante desta postura preservacionista a ambientalista granjeou pra si alguns opositores que defendem a retirada indiscriminada de madeira e vem constantemente sendo ameaçada de morte.
Em uma destas ameaças, num bilhete apócrifo o interlocutor grafou precariamente: “Laisa as mata é nossa, deixa nós em paz cala a tua boca”.
Apesar da grafia tosca, o recado, para bom entendedor alude à possibilidade dela ser assassinada, caso continue denunciando a extração de madeira no assentamento.
É neste contexto de ameaças que a mulher vive diariamente e tenta manter a rotina de trabalho, já que é professora da escola rural Maria Pereira e percorre um trecho onde há pelo menos dois pontos onde pistoleiros podem montar tocaia e atacá-la.
Comissão visita mas não garante proteção
Diante da quantidade de denúncias de ameaças de morte contra a extrativista Laisa Santos Sampaio estava sendo ameaçada de morte a Equipe Técnica Federal do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos visitou a casa dela no Projeto de Assentamento Praialtapiranheira nesta quarta-feira (16) e constataram a denúncia.
Integraram esta equipe, que é vinculada à Secretaria de Direitos Humanos, a psicóloga Marcela Morais, a socióloga Camila Iumatti e o coordenador da equipe Luiz Marcos Medeiros Carvalho.
Em princípio o trabalho destes técnicos foi ouvir a extrativista. Quanto à proteção policial requerida por ela, em princípio ainda não tem nada definido o que sé deve acontecer em outro momento.
Os membros desta equipe não quiseram gravar entrevista, contudo Luiz Carvalho informou que um relatório será elaborado com base nas informações prestadas por Laisa Sampaio e posteriormente devem ser tomadas medidas para minimizar a situação.
Para Luiz Carvalho são várias as medidas protetivas entre elas a escolta policial, que para ele é o último recurso, tendo em vista que uma série de protocolos precisa ser cumprida até que seja definida esta proteção.
"Na verdade o mais interessante é atacar as causas do problema e não somente os efeitos”, comentou lembrando que o caso deve ser repassado diretamente à ministra Maria do Rosário, titular da Secretaria dos Direitos Humanos.
Por sua vez a extrativista Laisa Santos Sampaio não esconde de ninguém que teme que algo lhe aconteça, sobretudo pelo fato de ter sido marcado para o dia 3 de abril deste ano o julgamento dos três acusados de ter orquestrado e matado o cunhado, José Claudio e Maria.
“A gente sabe que as coisas não estão boas para o nosso lado, são vários recados, ameaças, pessoas estranhas rondando a nossa casa, por isso pedimos proteção, pelo menos nesse período que antecede o julgamento”, apela.
Acusado pode não ter matado casal
Entre as declarações da extrativista, Laisa Santos Sampaio, durante a entrevista à comissão, uma delas pode causar uma reviravolta no processo que envolve a morte do casal de extrativistas, José Claudio e Maria do Espírito Santo.
Ela disse que pelo menos cinco pessoas lhe informaram que um dos acusados presos, o Alberto Teixeira Lopes o Neguinho pode não ter matado o casal.
“Não é ele, infelizmente tem as mesmas características do acusado que foi visto dois dias antes de cometer o crime andando com um homem branco e que está solto”, comentou.
a das moradoras do assentamento lhe confidenciou que estudou com o acusado Alberto e que viu o outro acusado andando de moto com um homem branco que seria o Lindonjhonson Silva, irmão do acusado de ser o mandante do crime, José Rodrigues.
Coincidência, ou não consta no processo que Alberto Lopes foi identificado através de retrato falado. Ele está preso por ser condenado por assalto em Tucuruí e caso se confirme a informação da extrativista a acusação pode até pedir a absolvição dele durante o Tribunal do Júri, previsto para acontecer no dia 3 de abril deste ano.
Contudo, o coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), advogado José Batista Gonçalves Afonso preferiu a cautela quando o assunto é comentar sobre a possibilidade de o acusado ser inocente deste crime uma vez que foi reconhecido.
“É preciso analisar com cuidado, pois ele foi reconhecido, mas caso surja elementos novos no caso não há problema algum em pedir a absolvição dele”, adianta.
Produção de cosméticos ajuda preservar a natureza
Em meio a um turbilhão de ameaças e incertezas a extrativista Laisa Santos Sampaio tenta sobreviver produzindo cosméticos artesanais.
A matéria prima é coletada na natureza, que ela tanto defende. Pra se ter uma ideia, na propriedade dela, de aproximadamente 50 hectares, tem pelo menos 80% preservados e que serve como uma espécie de depósito natural.
Desta mata ela coleta as sementes como a andiroba e que são utilizadas para produzir sabonete, líquido e em pasta, hidratante, repelente e uma pomada cicatrizante, que de tão boa é chamada “pomada milagrosa”.
“Então, mesmo com todas as dificuldades, provamos que é possível viver em harmonia com a floresta, produzir sem ser necessário derrubar a mata de forma indiscriminada e predatória”, ensina.
Os produtos são vendidos em feiras, convenções e encontros de trabalhadores rurais. “Onde chegamos somos bem vistos com os nossos produtos, pois são artesanais e sustentáveis”, conclui.
Trio de acusados julgado em Abril
O Juiz Murilo Lemos Simão, titular da Vara de Violência Doméstica e do Tribunal de Júri de Marabá, marcou para o próximo dia 03 de abril, o julgamento dos acusados do assassinato do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva, crime ocorrido no dia 24 de maio de 2011, no Projeto de Assentamento Praia Alta Piranheira, município de Nova Ipixuna, sudeste do Pará. O tribunal do júri ocorrerá no fórum de Justiça de Marabá.
Figuram como acusados José Rodrigues Moreira, seria o mandante, o irmão dele Lindonjhonson Silva e Alberto Lopes Teixeira, o Neguinho, estes seriam os executores.
Os advogados Wandergleisson Fernandes e Arnaldo Ramos Barros Júnior, defendem os dois irmãos, enquanto Carlos Fernando Guiotti patrocina a defesa do Neguinho. Os três advogados defendem a tese de negativa de autoria.
Segundo nota enviada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que deve atuar como assistente de acusação, outros dois envolvidos não foram incluídos no processo. São os pecuaristas de prenomes: Gilvan e Gilsão.
Os nomes destes dois acusados teriam sido citados durante diálogo entre José Rodrigues e outro irmão dele identificado pela alcunha Dedé.
José Rodrigues teria pedido para que o Dedé conversasse com Gilsão e Gilvan providenciasse o mais breve possível dois advogados, senão ele, José Rodrigues “abria o bico”.
A CPT entende que estes dois pecuaristas teriam interesse em mandar matar o casal de extrativistas.
José Rodrigues e Maria do Espírito Santo discordavam do modelo de reconcentração fundiária que estava em andamento dentro do Projeto de Assentamento Praia Alta Piranheira.
José Rodrigues teria comprado três lotes e criava bois na área, contudo, José Claudio assentou por contra própria três famílias, abrindo assim uma contenda entre José Rodrigues e o casal de extrativistas.
Trechos dos diálogos
“Vê se tu vai na casa de Gilvazin e conversa com ele pessoalmente. Tu fala com ele, que ele sabe por que eu to conversando com ele, que ele providencia advogado e bota ai, por que senão vai pegar pra ele também e fala pra Gilsão também", "por que se eu cair (...), se eu cair eu entrego eles dois", "pois é, tu conversa com eles, que eles aciona advogado ai em Marabá, pra botar ai, (...) que o culpado é mais ele, ele Gilvan e Gil, ele se lasca", "ele sabe quem é os culpados nisso tudinho, ele sabe ... e o culpado é .... o Gilvan sabe também, é ele, Gilvan...”.
Por conta desta conversação a CPT acredita que Gilvan e Gilsão tinham interesse em mandar matar o casal de extrativistas.
Ainda de acordo com a nota emitida pela CPT, a reconcentração fundiária, ou seja, a venda de lotes em assentamentos seria uma das causas do duplo homicídio.
A entidade entende que o INCRA, de certa forma favorece o mandante do crime, visto que José Rodrigues seria dono de 150 hectares no Assentamento Agro-Extrativista Praia Alta Piranheira. Em metade da área comprada já residiam 03 famílias, José Rodrigues tentou expulsá-las e não conseguiu devido o apoio de José Cláudio e Maria a elas. Em razão disso, José Rodrigues decidiu mandar matá-los. Após o assassinato do casal, as três famílias continuaram sendo ameaçadas, sem proteção da polícia, decidiram sair dos lotes.
Com isso José Rodrigues se apossou destes lotes e colocou pessoas da família dele para assegurar os lotes. A situação foi denunciada ao Superintendente do INCRA pela FETAGRI, STR de Nova Ipixuna, Associação do Assentamento e pela CPT, mas, o INCRA, até então não retomou os lotes.
A CPT denuncia ainda que ao mesmo tempo que o Incra se negou em retomar os lotes, despejou recentemente pequenos lotes de filhos de assentados que já residem no assentamento há vários anos.
Condenação esperada
Os familiares do casal e os movimentos sociais confiam na condenação dos acusados pelo corpo de jurados e que o juiz estipule a pena máxima para os condenados que poderá chegar a 60 anos de prisão.
De outra parte os acusados podem fugir do Crama, caso sejam condenados uma vez que as fugas são constantes. A nota informa ainda que um dos acusados,
O acusado Alberto Lopes fugiu em novembro do ano passado, sendo recapturado logo em seguida.
Advogados apostam na inocência
Indubitavelmente o julgamento dos três acusados deve atrair os holofotes da imprensa nacional e até mundial haja vista a ampla cobertura que foi dada a quando do duplo assassinato.
Mas independentemente do espaço que a mídia destinar ao caso os advogados de defesa, Carlos Guiotti, Wandergleisson Fernandes e Arnaldo Ramos Barros Júnior acreditam e apostam na inocência dos clientes deles.
Guiotti informou, em outra ocasião, que Neguinho não estava em Marabá quando aconteceu o crime, e sim trabalhava em um município marajoara.
Por sua vez, Barros e Fernandes dizem e atestam várias vezes que o telefone do Lindonjhonson e que foi interceptado, recebeu chamada no dia e horário do crime na localidade de Maracajá. “Logo ele não poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo”, contextualizam dizendo também que nos autos não há prova cabal da participação dos dois irmãos no crime.
Pelo contrário, segundo Arnaldo Barros, há vários vídeos que o próprio José Claudio falava que estava sendo ameaçado de morte por madeireiros.
“Nos autos não há ninguém que prove, ou ateste que foram os acusados os autores do crime, pelo contrário o próprio José Claudio dizia que estava sendo ameaçado por madeireiros”, concluem.
Coletiva seletiva pode ser realidade em Marabá
Visando implantar sistema de coleta seletiva de lixo em Marabá, iniciou esta semana negociações e conversações com catadores, associações e empresas interessadas em realizar esse trabalho.
Esta é uma das missões da Secretária de Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) à frente o vereador licenciado Leodato da Conceição Marques.
O encontro antecipa um mutirão de limpeza que deve acontecer neste sábado (19) de janeiro, quando a Prefeitura pretende recolher ao aterro sanitário somente o resíduo inservível, esperando, com isso, reduzir o volume de lixo e também propiciar renda para os catadores e compradores de material reciclável.
De acordo com Leodato Marques os comerciantes estão desperdiçando resíduos valiosos, que podem ser reaproveitados.
Ele sugeriu a adaptação de lixeiras seletivas, visando facilitar a coleta pelos vendedores de material reciclável, enquanto o lixo comum será depositado num container a ser coletado pelo serviço de limpeza pública.
O titular da Semsur informa também que esses containers não precisam transbordar. “Tão logo estejam cheios é só ligar para a secretaria que um carro vem coletar o material e colocar outro contêiner vazio”, comenta.
Trata-se de um modelo inicial de gestão de limpeza que, de acordo com o resultado, será estendido para toda a cidade. Além dessa iniciativa, a SEMSUR está criando o Departamento Conscientização Ambiental, Sustentabilidade e Mobilização, que dentre outras funções servirá de elo entre a administração municipal e as associações de bairros, escolas e toda a sociedade organizada, com vista a uma correta destinação de resíduos e consequente melhoria da qualidade de vida dos marabaenses.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Advogado nega tocaia de sem terra
O advogado José Batista Gonçalves Afonso, que defende os interesses dos sem terra que estão acampados na fazenda Itacaiúnas, negou que o confronto entre sem terra e seguranças da empresa Atalaia, tenha sido uma tocaia e um episódio premeditado.
As duas partes se engalfinharam no dia 29 de dezembro do ano passado, no retiro Lajinha. Desta refrega resultou no baleamento do segurança Jeverson Dantas Félix e um sem terra de prenome Francisco. A fazenda pertence à Agro Santa Bárbara.
O advogado contou que no dia 24 de dezembro, um grupo de sem terra, composto por oito pessoas, saiu para coletar castanha do Pará nos fundos da propriedade.
O grupo foi em um carro. Naquele mesmo dia, a escolta armada reprimiu os trabalhadores. Houve um confronto, sendo que dois sem terra se embrenharam no mato e não retornaram para o acampamento.
Ainda de acordo com o advogado, no dia seguinte, outro grupo de sem terra foi até a sede da fazenda para conversar com os seguranças e saber onde estariam os dois sem terra.
Neste contato, ainda de acordo com José Afonso, os trabalhadores foram obrigados a tirar as roupas a fim de que fossem revistados, pois poderiam estar armados e novamente houve clima de tensão entre ambas as partes.
Naquela ocasião, pediram para que o carro fosse devolvido e não foram atendidos e os dois sem terra continuavam desgarrados.
Ocorrência – Em função deste conflito, o trabalhador rural sem terra Manoel Floriano Gomes, no dia 27 de dezembro, registrou ocorrência onde relatou, na Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá, o que aconteceu na fazenda Itacaiúnas.
Naquela ocasião ele contou que os dois sem terra não tinham retornado ao acampamento e disse que tinha havido uma refrega entre sem terra e a escolta armada, bem como o carro que dirigiam não havia sido devolvido e que esperava providências.
No dia 29, ainda de acordo com José Afonso, como o carro não havia sido devolvido, os sem terra não tinham retornado, um grupo de nove sem terra rumou em direção ao retiro Lajinha.
Desta feita o grupo, para tentar evitar um novo conflito, contornou a propriedade e entrou pelos fundos da fazenda num total de mais de vinte quilômetros.
Após o dia inteiro de buscas na área, os sem terra não localizaram os “companheiros” e optaram em acampar num barraco abandonado já que era noite e por volta das 22 horas.
Ocorre que neste momento, se aproxima uma camionete e o sem terra de prenome Francisco sai do barraco para ver quem se aproximava e de acordo com o advogado José Afonso e alvejado com uma descarga de balins.
Ato contínuo, os sem terra, que costumeiramente andam com espingardas “por fora”, revidaram ao fogo, sendo que o grupo dispersou e culminou com o baleamento do sem terra e do segurança.
Por fim, o advogado disse que a tese de emboscada não deve prevalecer, uma vez que o barraco onde os sem terra estavam ficou crivado de balins.
“Essa conversa de que os seguranças atiraram pra cima é potoca, agora esperamos que eles devam ser indiciados e não os trabalhadores como é costume”, comenta.
A reportagem tentou contato com a advogada Brenda Santis, mas não houve retorno, contudo, a quando do episódio a empresa se pronunciou a respeito do assunto e alegou se tratar de uma emboscada contra os seguranças.
Este conflito está sendo investigado pelo delegado Rodrigo Paggi. Na manhã de terça-feira foram ouvidos três sem terra e os líderes sindicais: Maria Elza Gomes da Silva, Maria Dalva do Nascimento Pereira e Manoel Floriano Gomes, estes mesmos foram indiciados por esbulho possessório, dano e formação de bando, ou quadrilha a quando da ocupação da sede da fazenda no início do mês de dezembro.
As duas partes se engalfinharam no dia 29 de dezembro do ano passado, no retiro Lajinha. Desta refrega resultou no baleamento do segurança Jeverson Dantas Félix e um sem terra de prenome Francisco. A fazenda pertence à Agro Santa Bárbara.
O advogado contou que no dia 24 de dezembro, um grupo de sem terra, composto por oito pessoas, saiu para coletar castanha do Pará nos fundos da propriedade.
O grupo foi em um carro. Naquele mesmo dia, a escolta armada reprimiu os trabalhadores. Houve um confronto, sendo que dois sem terra se embrenharam no mato e não retornaram para o acampamento.
Ainda de acordo com o advogado, no dia seguinte, outro grupo de sem terra foi até a sede da fazenda para conversar com os seguranças e saber onde estariam os dois sem terra.
Neste contato, ainda de acordo com José Afonso, os trabalhadores foram obrigados a tirar as roupas a fim de que fossem revistados, pois poderiam estar armados e novamente houve clima de tensão entre ambas as partes.
Naquela ocasião, pediram para que o carro fosse devolvido e não foram atendidos e os dois sem terra continuavam desgarrados.
Ocorrência – Em função deste conflito, o trabalhador rural sem terra Manoel Floriano Gomes, no dia 27 de dezembro, registrou ocorrência onde relatou, na Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá, o que aconteceu na fazenda Itacaiúnas.
Naquela ocasião ele contou que os dois sem terra não tinham retornado ao acampamento e disse que tinha havido uma refrega entre sem terra e a escolta armada, bem como o carro que dirigiam não havia sido devolvido e que esperava providências.
No dia 29, ainda de acordo com José Afonso, como o carro não havia sido devolvido, os sem terra não tinham retornado, um grupo de nove sem terra rumou em direção ao retiro Lajinha.
Desta feita o grupo, para tentar evitar um novo conflito, contornou a propriedade e entrou pelos fundos da fazenda num total de mais de vinte quilômetros.
Após o dia inteiro de buscas na área, os sem terra não localizaram os “companheiros” e optaram em acampar num barraco abandonado já que era noite e por volta das 22 horas.
Ocorre que neste momento, se aproxima uma camionete e o sem terra de prenome Francisco sai do barraco para ver quem se aproximava e de acordo com o advogado José Afonso e alvejado com uma descarga de balins.
Ato contínuo, os sem terra, que costumeiramente andam com espingardas “por fora”, revidaram ao fogo, sendo que o grupo dispersou e culminou com o baleamento do sem terra e do segurança.
Por fim, o advogado disse que a tese de emboscada não deve prevalecer, uma vez que o barraco onde os sem terra estavam ficou crivado de balins.
“Essa conversa de que os seguranças atiraram pra cima é potoca, agora esperamos que eles devam ser indiciados e não os trabalhadores como é costume”, comenta.
A reportagem tentou contato com a advogada Brenda Santis, mas não houve retorno, contudo, a quando do episódio a empresa se pronunciou a respeito do assunto e alegou se tratar de uma emboscada contra os seguranças.
Este conflito está sendo investigado pelo delegado Rodrigo Paggi. Na manhã de terça-feira foram ouvidos três sem terra e os líderes sindicais: Maria Elza Gomes da Silva, Maria Dalva do Nascimento Pereira e Manoel Floriano Gomes, estes mesmos foram indiciados por esbulho possessório, dano e formação de bando, ou quadrilha a quando da ocupação da sede da fazenda no início do mês de dezembro.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Clima tenso na fazenda Vale das Castanhas
Sem terra, sem vínculo algum com movimentos sociais que lutam pela posse da terra no sul e sudeste do Pará estão acampados à margem da fazenda Vale das Castanhas, no município de Piçarra desde o final do ano passado.
Em pelo menos duas ocasiões promoveram tiroteios naquela propriedade, inclusive atiraram em policiais militares que foram checar denúncia de que no acampamento estariam ocorrendo baderna e troca de tiros.
O pecuarista Paulo Sérgio Araújo disse que denunciou o clima de tensão na Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá (Deca), à frente o delegado Victor Costa Lima Leal.
Segundo o pecuarista, o Incra foi informado da situação tensa na fazenda e não demonstrou interesse numa possível desapropriação. A propriedade é composta por pouco mais de 1,5 hectares, uma vez que parte dela foi vendida recentemente.
“O Incra disse que não tinha interesse em desapropriar a fazenda, pois é pequena e o órgão está sem orçamento”, acrescenta Paulo Araújo informando também que não tem interesse em vender a fazenda.
Portanto ele acredita que mesmo os sem terra não estando dentro da fazenda, mas de certa forma causa incômodo a presença deles e está requerendo das autoridades policiais que investiguem e levantem a situação dos posseiros que estão próximos da fazenda.
“Na verdade eles ameaçam invadir a fazenda, sabemos que o Incra não tem interesse em desapropriar e nem queremos vender a nossa fazenda, portanto nada mais justo do que os posseiros procurarem outra fazenda para que eles possam ser assentados”, reafirma.
Para Paulo Araújo, o correto seria que uma equipe da Deca fosse até a propriedade para verificar a denúncia, já que o caso foi registrado naquela especializada.
“Há várias pessoas armada no acampamento, sabemos que muitos deles podem até ser foragidos, então seria prudente que a Polícia fosse lá para verificar a situação”, observa dizendo que ontem (07), iria, mais uma vez denunciar o caso na Deca.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Agente prisional espancado
O agente prisional do Crama, Reginaldo de Jesus Silva, o Super Homem foi espancado neste Natal por quatro presos que estão no Pavilhão C.
Há algum tempo que os presos mantinham uma querela com o agente prisional que é ex-policial militar e mantém comportamento adverso da atual função.
Moto roubada
Elialzo Souza Cunha registrou ocorrência na 21ª Seccional Urbana da Nova Marabá dando conta que a moto dele, uma CG-150, vermelha, placa OFS-9626 fora roubada.
Dois assaltantes, armados lhe abordaram e levaram o veículo quando ele estava chegando na casa dele, no bairro Nossa Aparecida, a Invasão da Coca.
Moto recuperada
Policiais militares lotados na 27ª Área Integrada de Segurança Pública (AISP) recuperaram uma moto Cargo, branca, placa JUL-5546 e apresentaram a mota na 21ª Seccional Urbana da Nova Marabá.
A moto foi abandonada na rua Nagib Mutran, bairro Quilômetro Sete, Nova Marabá. Um adolescente, pilotava a moto, atropelou uma criança e abandonou o veículo naquele bairro.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Cabos da Polícia Militar condenados
Após 16 horas de julgamento, os cabos da Polícia Militar, Josivaldo Andrade da Silva e Jonas Cardoso Farias foram condenados a 23 anos e seis meses de prisão.
O julgamento aconteceu nesta terça-feira, na Comarca de Marabá em júri que foi presidido pelo juiz Murilo Lemos Simão Santos, titular da Vara de Violência Doméstica. A sentença foi promulgada nesta quarta-feira (19).
Os condenados, contudo, podem recorrer da decisão e enquanto aguardam o julgamento deste recurso no Tribunal de Justiça do Estado, aguardam em liberdade e só podem trabalhar em serviços internos nos quartéis militares não portar armas de fogo.
Tais recomendações foram determinadas pelo juiz Murilo Santos, que inclusive deixou claro que os dois acusados não devem ter contato com a população.
Eles foram acusados de matar os irmãos Elailson e Eleilton Evangelista, em crime que aconteceu no dia 28 de maio de 2004, em um bar da Folha 7, Nova Marabá.
Contradições – Quando depuseram em juízo os dois acusados se complicaram e caíram em várias contradições a respeitos das circunstâncias do crime.
Uma delas diz respeito como os dois acusados estavam no bar o que cada um fez quando ouviram os estampidos.
Josivaldo da Silva disse que ouviu dois tiros, se abaixou e sacou uma pistola e que olhou para trás e viu o colega Jonas em pé do lado de fora do bar.
Em seguida foi embora e levou o colega daquele lugar que não sabia quem tinha atirado nas vítimas.
Porém, quando o Jonas depôs, disse que saiu do bar montado em um mototáxi, ou seja, negou que o colega dele, Josivaldo o tivesse levado na moto dele.
Outra contradição que ficou no ar e que foi indagado várias vezes pelo juiz Murilo Santos foi o fato de o cabo Josivaldo ter ouvido os tiros, visto uma das vítimas ensanguentada e mesmo com todo o preparo militar não socorreu a vítima, pelo contrário, foi embora do bar.
Contradições e omissões, à parte e apesar dos esforços dos advogados de defesa, Odilon Viera Neto, Ricardo Moura e Marilda Cantal, prevaleceram os argumentos da promotoria.
Atuaram na acusação a promotora Bruna Rebeca de Paiva Moraes que recebeu o apoio dos advogados humanistas Marco Apolo Santana Leão e Claudia Lins, que representaram os Direitos Humanos.
Tão logo foi prolatada a sentença, os dois acusados foram encaminhados para o quartel do 4ª Batalhão de Polícia Militar (4º BPM), sendo que o cabo Josivaldo da Silva entregou uma pistola da Polícia Militar.
Caso seja mantida a sentença os dois acusados podem ser expulsos da corporação militar. A imprensa não pode colher imagens do julgamento.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Lucídio Colinetti garante que é inocente
| Lucidio (camisa branca) no portão do CRM; liberdade |
Quando saiu do Centro de Recuperação de Marabá (CRM), por volta das 15 horas de ontem o ex-secretário de obras de Marabá, Lucídio Colinetti se disse inocente e garantiu que todo o material aliterítico (piçarra) contratado pela Prefeitura foi aplicado nas ruas de Marabá.
Collinetti foi preso por ocasião da deflagração da operação Mar de Lama, em setembro deste ano, cuja investigação está sendo conduzida pelo Ministério Publico Estadual e que apura supostos desvios de piçarra num valor de pelo menos R$ 20 milhões.
Nesta mesma operação foi preso o empresário Mário Marcelo Fronczak, dono do MM Fronczak, empresa contratada para fornecer o material para a Prefeitura de Marabá.
Este empresário recebeu a pena de prisão domiciliar em pedido feito pelos advogados Gilberto Alves e Américo Leal, enquanto Lucídio Colinetti foi contemplado com a revogação da prisão preventiva, pedido feito pelos advogados Wandergleisson Fernandes e Arnaldo Ramos de Barros Júnior.
Ambas as decisões foram concedidas pelo juiz titular da 5ª Vara Penal de Marabá, Marcelo Andrei Simão Santos. Esta foi a última audiência deste ano nesta Vara. Fronzak deve ser ouvido no dia 25 de janeiro, enquanto Colinetti vai ser ouvido no dia 2 de fevereiro do próximo ano.
Lucídio Colinetti comentou que está com a consciência tranqüila e com o sentimento de ter cumprido totalmente o contrato e aplicado todo o material comprado nas ruas de Marabá.
Informou que foram mais de cinqüenta obras realizadas durante o período em que ficou à frente da Sevop, durante a atual gestão, entre elas a duplicação da transamazônica que consumiu pelo menos 230 mil metros cúbicos de aterro.
Por sua vez os advogados Wandergleisson Fernandes e Arnaldo Júnior garantiram que vão provar em juízo a inocência de Lucídio Colinetti.
“Vamos provar que todo o material comprado foi aplicado corretamente, tanto que requeremos uma perícia em todas as ruas que estão citadas na denúncia”, completam.
Sobre a decisão, consideraram em tempo, uma vez que demonstra que o cliente deles colaborou com a Justiça e não se furtou de prestar nenhuma informação. “Em momento algum o nosso cliente se negou em colaborar, até porque não tem nada a ver com eventuais desmandos”, garantem.
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