quarta-feira, 24 de julho de 2013

Jonatas Andrade na alça de mira na pistolagem
Delsão é acusado de tramar contra a vida do juiz, ele nega




Juiz ameaçado de morte em Marabá
Acusado é o fazendeiro Delsão, de Rondon. Advogados e trabalhadores também estariam na “lista”


Edinaldo Sousa


O juiz titular da 2ª Vara do Trabalho, Jônatas Andrade, se diz ameaçado de morte e em comunicado enviado à desembargadora Odete de Almeida Alves, presidente do Tribunal Regional do Trabalho da Oitava Região, relatou que tanto ele, quanto trabalhadores e advogados estariam ameaçados de morte. O magistrado disse que tomou conhecimento das ameaças na terça-feira (23).
O mesmo relato com as ameaças foi enviado à Procuradoria da República e à PolíciaFederal para adoção das medidas pertinentes.
Sobre o teor das ameaças, o juiz evitou manifestações tendo em vista que, por conta de tais fatos, diz que enfrenta dezenas de medidas processuais em curso no Tribunal Regional, na Corregedoria Geral e na Corregedoria Nacional. “Em 13 anos de magistratura já superei outros momentos difíceis, com provas materiais de ameaças que até hoje guardo comigo. Não pedi proteção individual adicional por não considerar as ameaças sérias. Também não a solicitei pela ciência do custo e da complexidade que tal envolve, para além de limitar nossa liberdade individual”, comentou.
“Entretanto, neste momento não posso sacrificar a segurança dos que comigo caminham, na vida pessoal e profissional, nem tampouco ignorar as constantes advertências que recebo há 2 anos e meio de exercício da jurisdição em Marabá”, completa o magistrado.
Andrade considera temerário desta vez não dar publicidade a tais ameaças aos diversos segmentos sociais e segue recomendação da Procuradoria da República como melhor forma de seu enfrentamento e maximização da segurança pessoal e coletiva de magistrados, servidores e familiares.
Por fim, o magistrado disse contar com o apoio e compreensão do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, das entidades associativas às quais é filiado, Amatra, Anamatra, AMB, AJD, Ipeatra, ALJT.
De igual forma o magistrado deve enviar o comunicado com as ameaças de morte à CNJ e à SDH da Presidência da República, pois considera que desta vez as ameaças são graves e consistentes.
O magistrado Jonas Andrade pede ainda que as ameaças sejam investigadas bem como pede proteção - escolta - policial 24 horas, por tempo razoável. 


Advogados relatam trama mortal

O juiz Jonatas Andrade não comenta abertamente em relação à origem das denúncias, mas a reportagem levantou que o pecuarista José Décio Barros Nunes, o “Delsão”, teria comentando, na última sexta-feira (19), em um bar de Marabá, que pretendia mandar matar o juiz.
Além do juiz, outras duas pessoas seriam assassinados. Uma delas, o advogado Romoaldo José Oliveira da Silva, que seria patrono de uma ação trabalhista contra a empresa de Delsão, a Barroso Nunes, em Rondon do Pará.
A ira do pecuarista seria por conta de um processo que tramita na 2ª Vara do Trabalho, onde o magistrado Jonatas Andrade, em fevereiro de 2012, confiscou diversos bens entre caminhões, tratores e gado do pecuarista por conta de uma ação de combate ao trabalho escravo.
Os advogados Romoaldo José Oliveira da Silva e Raimundo Nonato Gonçalves relataram este diálogo, onde “Delsão” teria dito que mandaria matar o juiz, o advogado e o trabalhador para o próprio juiz Jonas Andrade, nesta terça-feira (23).
O diálogo foi ouvido pelo advogado Phillipe Barbalho Ferreira e este, por sua vez, repassou aos dois advogados, que por fim, relataram ao juiz Jonatas Andrade.
Entre os comentários, “Delsão” teria dito que não iria mandar fazer nada contra o juiz neste momento, pois o desentendimento entre ambos estaria recente. 

A advogada Marli Fronchetti, que defende os interesses do pecuarista Delsão, informou que o cliente negou qualquer comentário no sentido de mandar matar o juiz.

Confirmou, porém que Delsão denunciou o juiz Jonatas Andrade no Conselho Nacional de Justiça e Corregedoria e que optou pelos meios legais como forma de resolver pendencias judiciais e numa por meios escusos.


Juiz pediu para ser investigado




Sem dúvida alguma, um dos processos que mais causou repercussão nacional foi o arrestamento de bens de “Delsão”.
Seria por conta deste processo que surgiram diversos comentários, entre eles de uma provável extorsão que o juiz Jonatas Andrade seria o responsável.
Contudo, o próprio magistrado se colocou à disposição da Corregedoria Regional, TRT 8ª Região, para eventual investigação.
“Este magistrado recebeu informações, correntes nessa jurisdição, de que estaria sendo acusado de corrupção (ativa e passiva) no desempenho de atividades de execução de títulos judiciais, muito especialmente no Processo nº 001053-26.2011.5.08.117, em conluio com arrematantes, em benefício próprio”, relatou o juiz.
Ainda de acordo com o magistrado, “não se tem qualquer notícia oficial dos referidos procedimentos e do teor das acusações. Entretanto e de pronto, apresento-lhe, anexadas em formato zipado, as minhas declarações e movimentação fiscal dos últimos cinco anos, incluindo a de minha esposa.
De igual forma, o juiz disponibilizou a quebra de sigilo telefônico e citou dois números fixos que usa diariamente tanto na casa dele, quanto no gabinete.
“Não tenho ciência dos termos dos procedimentos opostos contra este magistrado. Não fui notificado até o presente momento, mas a notícia é corrente e do domínio público nesta jurisdição, gerando no mínimo apreensão e constrangimento dos jurisdicionados”, relata o juiz.
Por fim, o magistrado deixa claro que a antecipação da quebra de sigilo telefônico e bancário visa dar maior celeridade à investigação por parte da Corregedoria. 


Justiça penhorou e vendeu bens de “Delsão”


Em fevereiro de 2012, operação policial coordenada pelo juiz Jonatas Andrade resultou na penhora de 18 veículos e 892 cabeças de gado do fazendeiro e madeireiro “Delsão”.
A penhora de bens serviu para pagamento de dívidas trabalhistas. O montante da dívida é de R$ 3.267.525,36, oriunda de direitos trabalhistas não pagos aos trabalhadores nas fazendas e serrarias de “Delsão”.
No ano passado a 2ª Vara do Trabalho de Marabá já tinha penhorado e leiloado um terreno urbano do pecuarista.
“Delsão” é acusado de ser um dos mandantes do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa, o “Dezinho”, crime ocorrido em Rondon em 21 de novembro de 2000. 
No final de 2011, o STJ julgou um recurso impetrado pelos advogados do fazendeiro no qual pleiteavam a revogação de sua prisão preventiva e a decisão de pronúncia proferida pelo TJ Pará. 
Os ministros do STJ revogaram a prisão, mas, mantiveram a pronúncia, determinando que ele seja julgado por júri popular pela morte do sindicalista.




quarta-feira, 17 de julho de 2013

Hospital Regional homenageia os administradores hospitalares




No último dia 15 de Julho, os gestores do Hospital Regional do Sudeste do Pará “Dr. Geraldo Veloso”, gestão Pró-Saúde ABASH, homenagearam os Administradores Hospitalares, Valdemir Fernille Girato, José Batista Luz Neto, José Vanderlei Clain Ibing e Edianna de Carvalho Moura, pela passagem da data comemorativa da profissão (14), em reconhecimento ao importante trabalho exercido no Hospital.

Os Gestores Hospitalares da Pró-Saúde HRSP gerenciam de forma eficiente a complexidade das atividades desta Instituição Saúde, com autonomia no processo de aquisição e disseminação do conhecimento, sendo agentes multiplicadores aptos a resolverem questões internas e externas da organização e suas relações humanas, sociais e tecnológicas. “Nossa liderança merece esta homenagem. São indivíduos competentes, que possuem senso critico na resolução de problemas por meio de modernas técnicas de gerenciamento, buscando flexibilidade e inovação”, ressaltou Karla Luz, Coordenadora de Humanização.

Os profissionais foram prestigiados por colaboradores de diversos setores no hall da administração, que se reuniram para fazer uma surpresa, planejada pelo Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), demonstração de agradecimento e carinho, com cartão de felicitações e bombons de chocolate. Foi um momento bastante agradável, proporcionando integração, valorização e motivação da equipe. Os homenageados ficaram emocionados e agradeceram a todos pela surpresa.

“Muito obrigada por esta demonstração de admiração e respeito pelo nosso trabalho. Apoiamos todo tipo de ação de valorização pessoal e profissional aos nossos colaboradores. É uma honra estar, hoje, na figura de homenageados. Agradeço, em nome dos meus colegas, o reconhecimento do nosso papel no exercício diário da assistência em saúde qualidade”, afirmou Valdemir Girato, Diretor Geral do HRSP.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Assassinado quando chegava em casa




Entre os crimes que movimentaram o plantão deste final de semana na Polícia Civil consta o homicídio que aconteceu na noite deste domingo, na Folha 23 e teve como vítima o autônomo Cleber Alves Jardim, 34 anos, morto a tiros.
Dois pistoleiros, numa moto, mataram mais esta vítima em Marabá. Segundo informações de parentes da vítima, os matadores aguardavam pacientemente a chegada do Cleber a casa dele, na Folha 23, Nova Marabá.
O caso está sendo investigado pela delegada Juliana Thomé Cavalcante do Rosário, mas até o momento nenhum suspeito foi identificado, ou preso.

Atropelamento e morte em Bom Jesus


O ceramista Edinaldo Soares Pinheiro foi uma das vítimas fatais de um acidente rodoviário que aconteceu na BR-222, entre Bom Jesus do Tocantins e Abel Figueiredo neste final de semana.
Era por volta das 3h30 da manhã quando um grupo de amigos, que estava em um bar em Bom Jesus do Tocantins resolveu ir embora para Abel Figueiredo. Os amigos estavam em motos e não usavam capacetes.
Um deles, de prenome Emílio, pilotava uma moto Biz e em dado momento colidiu com a moto do amigo dele, o Edinaldo Pinheiro, que caiu e bateu a cabeça no asfalto. Morreu na hora.

Traição e morte em Itupiranga


Jeová Santos Sousa, gerente de fazenda tirava uma de “Dom Ruan” rural e costumava galantear as mulheres casadas, contudo, acabou sendo assassinado por um destes maridos traídos.
O crime aconteceu na fazenda dos irmãos, José e João Bonzinho, vicinal São Sebastião, vila Mangueira, zona rural de Itupiranga, por volta das 4 horas da madrugada de domingo.
No centro deste crime estaria uma contenda entre o Jeová Sousa e o vaqueiro Neto, sendo que este ultimo era casado com uma mulher e o Jeová Sousa estaria tendo um caso com a mulher.


Trocou a venda de peixes pelo tráfico


Pensando em se dar bem o vendedor de peixes, Hilton Ribeiro de Oliveira acabou enveredando para o mundo do tráfico e até bem pouco tempo ganhou dinheiro vendendo maconha, mas 
foi preso neste domingo, na casa dele, na Folha 33, Nova Marabá. 
Os militares do Grupo Tático Operacional, comandados pelo cabo Estevam Sousa da Silva prenderam o acusado.
Na casa dele, os militares apreenderam dois tabletes de maconha, perfazendo cerca de 1,4 gramas, além de R$ 45,00.
Hilton confirmou ser traficante e que, de fato vendia peixe, antes de migrar para o tráfico de drogas.


Doze corpos necropsiados no IML


Entre os doze corpos necropsiados nas últimas 72 horas em Marabá, apenas um corpo é de Marabá.
Trata-se de Cleber Alves Jardim, 34 anos, morto a tiros na noite deste domingo, quando chegava na casa dele, na Folha 23, Nova Marabá. Dois tiros foram suficientes para eliminá-lo.
Na Vila Mangueira, zona rural de Itupiranga, morreu com vários golpes de terçado, Jeová Santos Sousa.
Em Bom Jesus do Tocantins, faleceu Claudio Gomes Cardoso, o “Sergipano” 33 anos. O crime aconteceu próximo à Delegacia daquele município.
Ele era foragido da Comarca de Uruará, onde teria matado uma pessoa em novembro do ano passado. Naquela ocasião ele estripou a vítima. Foi preso, fugiu para Goianésia e em seguida para Bom Jesus do Tocantins, onde foi assassinado.
Vítima de homicídio, Aldery Gonçalves dos Santos, crime que aconteceu em São Geraldo do Araguaia e foi alvejado a tiros.
Uma criança de apenas sete anos de idade faleceu afogada numa represa no bairro Nova Carajás, entrada do município de Parauapebas.
Também em Parauapebas, faleceu uma criança de 21 dias, morreu de causa indeterminada.
Em Canaã dos Carajás, morreu com golpes de arma branca o braçal Itamar Chaves Ribeiro, 34 anos.
De acidente de trânsito faleceu Edinaldo Soares Pinheiro. Ele colidiu uma moto com outra moto, na BR-222 quando seguia em direção a Abel Figueiredo.
Restos mortais que podem ser do jovem Amaury Oliveira Silva, de 17 anos foram localizados na vicinal T Pau Brasil em Santana do Araguaia.
Um homem que foi executado com tiros na cabeça e foi queimado vivo. O corpo foi localizado no lixão de Parauapebas em meio a restos de pneu.
Também em Parauapebas, faleceu o acusado de ser traficante Adílio Neris Ferreira, 33 anos, crime que aconteceu na Vila Palmares I.
De acidente de trânsito, faleceu Severiano Ramalho Pereira, de apenas 32 anos, na Vila Cruzeiro do Sul, em Itupiranga.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Militares lutam pela aprovação da PEC 300


Militares ocupam ruas de Marabá e cobram direitos




Visando aumentar o nível de qualidade de vida os policiais militares e bombeiros lutam há pelo menos uma década pela aprovação da PEC 300, projeto de Arnaldo Farias de Sá (PTB-SP), que se aprovado, equipara os salários em nível nacional e tem como piso o mínimo de R$ 3,5 mil aos praças e R$ 7 mil para oficiais. 

Hoje o piso salarial de um praça, no Pará, é de R$ 2,1 e o oficial R$ 4,2 mil. Este salário é considerado um dos mais defasados em nível nacional.

A PEC 300 tramita desde (...) e foi aprovada pelo Congresso à unanimidade em primeira votação em 2011 e agora os militares lutam para a aprovação em segunda votação e, finalmente seguirá para sanção da presidente Dilma Roussef para que os militares possam receber melhores salários.

Manifestação – Tentando convencer a sociedade e autoridades em geral, os militares, de folga, realizaram, nesta quarta-feira em Marabá, uma manifestação pacífica.

Os militares, liderados pela Associação de Cabos e Soldados, se concentraram em frente ao Corpo de Bombeiros de Marabá de onde saíram em caminhada pela rodovia Transamazônica em direção à Câmara de Vereadores onde encerram os protestos.

Rodrigo Lima, presidente da Associação pediu desculpas pelos eventuais transtornos causados à sociedade, mas disse compreender, que se a PEC for aprovada, primeiramente ganham os militares, mas na ponta a comunidade será a grande beneficiada.

“O policial trabalhando estressado não rende, mas caso as coisas andem de forma tranquila, o militar em paz consigo e com a família, com certeza a prestação de serviço dele melhora”, salienta o policial.

O militar lembrou que a manifestação não se tratou de nenhuma greve, mas tão somente um “grito à sociedade e autoridades para se solidarizarem com a categoria”, comentou.

Por fim ele disse que mesmo por conta dos eventuais transtornos à sociedade, classificou como positiva a manifestação, que aconteceu em nível nacional. “continuamos vigilantes e esperançosos que a PEC 300 volte à pauta do Congresso, já que foi aprovada por unanimidade em primeira votação e desta forma o militar receber um salário digno e altura da prestação de serviço à sociedade”, observa.
Pauta – Ao final do protesto os policiais militares e bombeiros, entregaram uma extensa pauta na câmara de vereadores.
Praticamente todos os parlamentares se solidarizaram com a causa e se comprometeram em manter contato com deputados federais a fim de acelerar a votação da pec-300.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

IML necropsia onze corpos


Neste final de semana o IML de Marabá necropsiou onze corpos, sendo a maioria vítima de homicídios.
De Marabá foram necropsiados quatro corpos. Sendo o caso que causou maior comoção foi a morte do pai de santo Fabiano dos Santos Fernandes, 49 nos, vítima de homicídio. 
O corpo dele foi localizado numa estrada vicinal do PA Castanheira, zona rural de Marabá.
A vítima era pai de santo da Vila Sororó e foi sequestrada no último dia 28 por dois homens vestidos com roupas pretas e encapuzadas.
Pai Fabiano, como era conhecido, foi morto com vários tiros e teve o corpo queimado pelos pistoleiros. O crime está sendo investigado pela delegada Juliana Thomé Cavalcante do Rosário.
A Policial trabalha com a hipótese de se tratar de um crime de vingança, pois no dia 24 de junho, a dona de casa Maria de Lourdes Silva da Silva morreu no terreiro dele.
Outros – Francisco Wellington dos Santos Alves, 33, vítima de acidente de trânsito, na estrada do Murumuru.
Alessandro de Oliveira Sales, 29, vítima de homicídio na avenida Tocantins em Morada Nova. Ele foi morto com pelo menos 9 tiros de pistola calibre 380. Duas pessoas numa moto preta cometeram mais este homicídio.
Adolescente de 16 anos, morto a tiros no bairro Neuton Miranda, conhecido por Invasão da Infraero.
Antonio Carlos Pinheiro da Silva, 26, morto a tiros. Ele foi baleado na última quinta-feira em Eldorado do Carajás e desde então foi internado no Hospital Regional, onde faleceu.
Douglas Rafael da Silva Batista, 21, anos, morto de causa indeterminada em Parauapebas.
Também deste município veio o corpo de Adiel Marcone Garcia, vítima de acidente de trânsito.
Ariosvaldo Sousa Candeiro, 43 anos e Sidney Fernandes de Matos, 31 anos, ambos vítimas de acidente de trânsito.
Laiosmar dos Santos Gomes, 25, vítima de acidente de trânsito em Canaã dos Carajás. 
Sonay de Souza Silva, de apenas 12 anos, vítima de afogamento no município de São Geraldo do Araguaia.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Via Campesina ocupa estradas

Mercedes Zuliani: "O povo despertou e cobra direitos"


O povo despertou e cobra direitos nas ruas. Para tanto se utiliza de diversos meios. A ocupação de estradas e rodovias continua sendo uma ferramenta muito usada pelos movimentos sociais e na manhã da última quinta-feira, mais uma vez as estradas sul paraenses foram interditadas.

Estão ocupadas as estradas BR-155 à altura da fazenda Cedro, zona rural de Marabá. Nesta mesma rodovia aconteceram outros três bloqueios, sempre em frene a acampamentos de trabalhadores rurais sem terra e na PA-275 à altura do acampamento Frei Henri, em Curionópolis.

Desta vez a organização das manifestações foi coordenada pela Via Campesina, entidade ligada às defesa dos Direitos Humanos e de luta pela reforma agrária em nível nacional.

Esta foi a segunda ocupação num intervalo de seis dias. Além da solidariedade às manifestações que acontecem em nível nacional a entidade, juntamente com o MST, reivindica o assentamento da pelo menos mil famílias que aguardam em barracos precários.

Juiz investiga possível fraude na SDU

César Lins quer passar à limpo a SDU

Alberto Teixeira: "Investigação será criteriosa"
 

Gilson Dias: "Não temos nada pra esconder"




Um dia após ter o nome referendado para assumir em definitivo a Superintendência de Desenvolvimento Urbano, o diretor deste órgão recebeu a “indigesta” visita do juiz titular da 1ª Vara Civil, César Dias de França Lins, que investiga suposto esquema de fraude no registro de imóveis em Marabá.Não é de hoje que o juiz desconfia que algo esteja errado nesta autarquia, inclusive acredita que o diretor não tenha habilidade e nem capacidade para continuar à frente do órgão. “É minha opinião”, salienta.O magistrado esteve ontem pela manhã na SDU após tomar conhecimento, por meio de um bacharel em direito, que um terreno urbano, situado na Folha 31, Quadra 17, Lote 1, Nova Marabá seria titulado em nome de um influente advogado de Marabá.Ocorre que este lote está hipotecado à empresa Petróleo Sabá, portanto não poderia ser transferido, vendido, alienado, ou titulado em nome de terceiro, cujo processo deu início no Cartório de Registro de Imóveis, pertencente à Neusa Santis.O magistrado informou que um edital foi publicado no dia 20 de maio deste ano, pela SDU visando a regularização deste terreno, o que o magistrado entende se tratar de um esquema de grilagem urbana.O magistrado contou, que em tese, quando se pretende registrar determinado imóvel urbano tem de se cumprir alguns protocolos, entre eles e de consultar judicialmente sobre o histórico da área pretendida na Justiça e que não teria ocorrido no caso deste terreno.“Causou-me estranheza o fato de não ter havido esta consulta, sendo que nos outros casos este procedimento não é dispensado”, salienta.O edital de publicação do terreno foi elaborado pelo diretor fundiário da SDU, João Alfredo e assinado por Gilson Dias Cardoso, superintendente.Diante deste e de outros indícios de fraudes o juiz César Lins convocou tanto o superintendente Gilson Dias, quanto a cartorária Neusa Santis, dona do Cartório de Registro de Imóveis de Marabá onde o lote seria regularizado.A cartorária, segundo o magistrado, em momento algum se negou em dar informações, inclusive disse que não poderia registrar o terreno, enquanto Gilson Dias informou ao magistrado que só se pronunciaria diante de uma convocação formal, segundo informou o juiz.“Como ele não quis vir até o Fórum eu fui até a SDU e em princípio desconfio que haja sim maracutaia no registro de imóveis, inclusive este órgão pode ser um grande mal pra administração municipal”, comenta.Quando saiu da SDU, ontem pela manhã o magistrado disse que pretende comunicar aos diversos órgãos de Marabá e recomendar que seja aberta uma investigação criteriosa a fim de levantar, se de fato, nesta, ou em administrações passadas se houve qualquer irregularidade na regularização fundiária.O juiz adiantou que pretende pedir o afastamento do superintendente da SDU, bem como do corpo técnico até que se conclua a investigação.Devem ser investigadas várias pessoas ligadas diretamente à SDU, bem como a cartorária Neusa Santis, que segundo o juiz, apesar de estar ajudando com informações, pode fazê-lo de forma oficial. “Se ela não tem nada a ver com o caso, logo não pode e nem deve omitir informações”, argumenta o magistrado.Por fim, comentou para a imprensa que além do lote em questão, há pelo menos outros mil terrenos que teriam sido regularizados indevidamente.Os supostos envolvidos no esquema podem responder a vários crimes, como formação de bando, ou quadrilha, peculato, estelionato, falsificação de documento público, entre outros.  Diretor do SDU diz que não tem nada pra esconder  Por sua vez o diretor da SDU, Gilson Dias Cardoso se adiantou e relação às desconfianças do juiz César Lins de França Lins e disse que não tem nada pra esconder e que a qualquer momento abre as portas para qualquer investigação.Comentou ainda que por ordem do prefeito João Salame Neto, todos os órgãos de controle, ou a Justiça podem, a qualquer tempo e hora, obterem informações sobre os processos que tramitam dentro da SDU.Adiantou ainda que em se tratando do lote da Folha 31, Dias informou ainda que o edital seguiu o caminho correto e que a parte contrária se manifestou, contudo não descartou que pode ter sido induzido a erro.De toda sorte, adiantou ainda que por onde gerenciou, ou trabalhou, Dias primou pela transparência e zelo pelo bem público. “Quem me conhece, sabe como trabalho, não aceito e nem comungo com desvios de conduta”, garante.Por fim, garantiu, que caso, algum servidor, ou colaborador se envolveu em qualquer desvio de conduta poderá responder processo administrativo e judicial. “Não tenham dúvida disso, nessa gestão, a rigor, a transparência tem de estar em primeiro lugar”, conclui. Prefeito manda abrir investigação  Tão logo se propagou a presença do juiz César Dias de França Lins na SDU o prefeito de Marabá, João Salame Neto determinou que todos os servidores colaborassem e que uma investigação fosse aberta a fim de dirimir quaisquer dúvidas em relação às denúncias do juiz.Em princípio este trabalho deve ser coordenado pelo delegado licenciado Alberto Henrique Teixeira de Barros, titular da Secretaria Municipal de Segurança Institucional que já adiantou: “A ordem é para apurar tudo, seja, nesta, ou administrações passadas”, comentou.Durante este trabalho, que deve demorar pelo menos dois meses, devem ser levantadas todas as informações de como foram feitos os registros de imóveis, bem como apurar prováveis casos de duplicidade de títulos.De antemão o delegado informou que tal medida não se trata de política do terror contra servidores, mas medidas preventivas visando zelar pelo bem comum e correta aplicação dos recursos públicos.Contudo o experiente policial adiantou que se houve, ou não participação de algum servidor em qualquer esquema, este, sem sombra de dúvida deve responder penalmente.