Juízes cobram mais segurança para as comarcas
Edinaldo Sousa - Juízes lotados nas comarcas do sul e sudeste do Pará se reuniram ontem em Marabá e cobraram mais segurança para as Comarcas a fim de que possam desempenhar as atividades deles com plenas garantias constitucionais e não sofram agressão das partes envolvidas nos processos.
O ato contou com a presença de praticamente todos os juízes destas duas regiões, além do juiz presidente da Associação dos Magistrados do Pará (Amepa), Paulo Roberto Ferreira Vieira, promotores, defensores e servidores do Fórum de Marabá.
Não é de hoje que os magistrados cobram mais segurança para as comarcas, sendo que diversas agressões a magistrados e depredações de comarcas são catalogadas e denunciadas pela Amepa ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O fato mais recente ocorreu na última terça-feira 21, em Marabá e que culminou com a manifestação dos juízes. Naquela manhã o agricultor Antonio Alves Lira 53 anos, entrou no Fórum, derramou gasolina e ameaçou atear fogo no prédio, contudo foi contido pelos funcionários Paulo Edson Garcia Costa 35 e Leonardo Moreira Miguel 35.
A juíza Cláudia Regina Moreira Favacho Moura informou que o agricultor não tem nenhum processo tramitando na Comarca, portanto descartou qualquer tipo de responsabilidade na questão pleiteada por ele, que na verdade cobrava do Incra o reassentamento em um lote rural.
“Não tem sentido algum o que ele tentou fazer, pois não tem nenhum processo dele tramitando na Comarca”, comenta.
Para o juiz Paulo Vieira, “a tentativa do agricultor Lira representa uma desmoralização do Judiciário e um grande prejuízo para a sociedade, além de abrir um precedente para que outros casos de maior gravidade pudessem acontecer, portanto é preciso repelir de forma contundente tal agressão”.
O juiz Líbio Araújo Moura é enfático em dizer que os juízes estão cobrando segurança para que possam ter plenas garantias de exercer suas prerrogativas.
“Não estamos cobrando proteção policial pessoal, mas para toda a sociedade, pois quando se viola o templo da Justiça é a sociedade quem perde”, acrescenta.
“Nenhuma tentativa ao poder judiciário poderá melindrar, ou temer o exercício da nossa atividade, não devemos temer nenhum tipo de violência material, ou institucional”, reforma, dizendo que qualquer tentativa de melindrar juiz para conseguir sentença é uma violência.
Citou que a juíza Elaine Neves de Oliveira, da 2ª e 3ª Varas de Marabá, que recentemente foi pressionada para dar sentença a um grupo. “Não admitimos e repudiamos tal atitude, o nosso trabalho independe de quaisquer grupos”, acrescenta.
Os juízes, durante a reunião que aconteceu no Salão do Tribunal do Júri, do Fórum de Marabá apresentaram seis propostas (ver Box), que devem ser encaminhadas ao CNJ e ao Tribunal de Justiça do Estado (TJE).
Revista - Por enquanto a medida mais recente e até certo ponto antipática, para quem pretende entrar no Fórum passa por uma revista minuciosa é feita. Para tanto os segurança usam detectores de metais, cedidos pelo Ministério Público Estadual, inclusive uma policial militar auxiliar no trabalho de revista às mulheres.
“Isso é um absurdo e inadmissível o que aconteceu no Fórum”, observou o juiz Claytoney Passos Ferreira lembrando que o caso foi repassado para o TJE e CNJ via ofício e que os juízes aguardam providências.
Por fim ele hipotecou apoio ao colega Líbio Moura e defendeu a paralisação. “Estamos no mesmo barco, o naufraga Pará”, desabafou.
Ataque ao Judiciário ocorre há três anos
“Essa onda de ataque às Comarcas no Pará ocorre há três anos e várias são as situações onde os juízes são agredidos”, comentou Paulo Roberto Ferreira Vieira, presidente da Associação dos Magistrados do Pará (Amepa).
Ele vai mais além e diz que as agressões se estendem aos servidores e atribui tais situações à falta de um quadro de servidores especializados na área de segurança a exemplo do que acontece em outras instituições onde há polícia especializada para atender neste órgão.
Comentou que quando o preso é uma pessoa da mais alta periculosidade o estado providencia uma escolta especializada a mais, porém nos casos de vara familiar este mesmo cuidado não é dado e é exatamente nestes casos onde estão mais suscetíveis a acontecer tais agressões.
Por fim comentou que há três anos vem denunciando as agressões e sugeriu que uma comissão de segurança fosse formada, que envolveria membros do CNJ, do TJE e da Amepa. Desta entidade seria o juiz Edmar Pereira, porém até então essa comissão não foi formada.
Por sua vez o afirma o major Jetro Jocundo, subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar informou que independentemente do pouco contingente a Polícia Militar irá sempre apoiar o Judiciário. “Continuamos à disposição do Judiciário dentro da nossa competência e limitações”, afirma.
A promotora Kalline Karol Nocetti Servilha lembrou que o agricultor Antonio Lira foi atendido pelo defensor agrário Rogério Siqueira, este por sua vez lhe informou que não poderia ser reassentado no projeto de assentamento Progresso, em Eldorado do Carajás.
“É mais uma pessoa que ficou descontente com o resultado, inclusive cometeu um crime, pois vendeu o lote rural, mas estamos prestando assistência jurídica”, afirma a coordenadora da defensoria pública de Marabá.
A promotora Francisca Suênia Fernandes de Sá lembrou que hipotecou apoio ao Judiciário por entender que este é o papel do MPE. “Solicitei à juíza Cláudia Moura que fizesse por escrito tal pedido e de pronto atendi, até porque estamos atendendo a sociedade”, comentou.
Daniela Moura, lembrou o assassinato do promotor Fabrício Ramos Couto, 37 anos, morto a tiros no dia 24 de novembro de 2006 em Marapanim. Neste crime o advogado João Bosco Pereira é o acusado deste crime. “Queremos também segurança, pois todos nós somos vítimas”, comentou citando o juiz Claytoney Passos Ferreira e a promotora Alexssandra Mardegan Muniz, vítimas de assaltos em Marabá. (E.S.)
Propostas
Requisitar inspeção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nas Comarcas do Estado do Pará em especial àquelas que já foram vítimas de atos de violência, para averiguar as condições de segurança nos fóruns, mencionando número de protocolo de pedido anteriormente já protocolizado, sob pena de paralisação;
Se não for atendido o pedido de inspeção, ingresso com pedido de providências contra o TJE/PA em virtude da falta de segurança nos fóruns;
Reestruturação da coordenadoria de segurança do Poder Judiciário, para que quando houver ofensa a qualquer integrante do Poder Judiciário ou prédio de fórum, uma equipe seja imediatamente deslocada para o local a fim de verificar as necessidades do local;
Instalação imediata de portas de vigilância e sistema de monitoramento eletrônico (câmeras) nos fóruns;
Reunião com a presidência do TJE/PA para o período após a semana de eleições no primeiro turno. (E.S.)
Participaram da reunião os seguintes juízes
Claudia Regina Moreira Favacho Moura – Vara Agrária
Líbio Araújo Moura – Parauapebas
Heyder Tavares – Juiz da capital
Claytoney Passos Ferreira – Juiz de Curionópolis
Eduardo Teixeira – Juiz da Vara da Infância e Juventude
Elaine Neves – juíza substituta
Marcelo Andrei Simão Santos – Itupiranga
Cristiano Magalhães Gomes – Juizado Especial Cível de Marabá
Promotoras
Daniela Moura, Francisca Suênia Fernandes de Sá e Alexssandra Mardegan Muniz
Defensora pública
Karine Karol Sevilha
Sub-comandante do 4º BPM
Jetrho Jocundo
sábado, 25 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Pecuarista matou comerciária para não assumir paternidade
Caso Ana Karina
Família não desiste das buscas
Edinaldo Sousa - “Deus não deixa obra inacabada”, dessa forma se pronunciou a dona de casa, Maria Íris Matos Guimarães, mãe da comerciária Ana Karina Matos Guimarães, morta no dia 10 de maio deste ano em Parauapebas.
O corpo de Ana Karina pode ter sido colocado dentro de um tambor com pedras e arremessado de cima de uma ponte do rio Itacaiúnas, divisa de Marabá com Parauapebas no mesmo dia em que saiu da casa.
O principal acusado de ter matado a jovem é o pecuarista Alessandro Camilo de Lima, o “Macarrão”, que segundo informações da Polícia de Parauapebas mantinha um relacionamento extraconjugal com a jovem, que por sua vez estaria grávida no nono mês.
Para esconder tal relacionamento e para não assumir a paternidade, Macarrão teria cometido o crime. Para tanto ele contou com a ajuda do ex-funcionário dele, Francisco de Assis Dias, o “Magrão” e de um amigo, Florentino de Sousa Rodrigues o “Minego”.
Desde o desaparecimento da jovem que os familiares dela tentam localizar o corpo. Militares do Corpo de Bombeiros de Parauapebas, Marabá e Belém, permaneceram no rio Itacaiúnas durante 16 dias no mês de maio e não conseguiram localizar o corpo.
Nas últimas três semanas a família de Ana Karina mantém quatro mergulhadores, um pescador, um motorista que literalmente estão acampados na beira do rio Itacaiúnas e vasculham um raio de pelo menos 20 quilômetros partindo da ponte, rio abaixo e até ontem ainda não tinham localizado o tambor com o corpo da comerciária.
Essas novas buscas estão sendo feitas por mergulhadores que participaram das buscas aos corpos dos irmãos Ubiraci e Uiraquitan Novelino, assassinados em abril de 2007. Estes mergulhadores localizaram os corpos em maio daquele mesmo ano, na baía do Guajará.
Apesar da frustração a mãe da comerciária se mantém firme e disse que não desistirá de tentar localizar os restos mortais da filha. “O mal nunca vence o bem e tenho esperanças que o corpo da minha filha será localizado”, comenta.
Neste inquérito policial estão indiciados: Alessandro Camilo de Lima, o “Macarrão”, Francisco de Assis Dias, o “Magrão” e de um amigo, Florentino de Sousa Rodrigues o “Minego”, Grasiela Barros Almeida, noiva do Macarrão e Pedro Ribeiro Lordeiro, amigo do casal, que teria guardado uma pistola calibre 380 usada para matar a comerciária.
A Polícia apontou a Grasy como sendo a mentora intelectual do crime, enquanto Pedro Lordeiro teria guardado a arma, uma pistola calibre 380, usada para matar Ana Karina.
Ambos estão com prisões preventivas decretadas, sendo que a Grasy está foragida, porém pode ser presa a qualquer momento.
O crime – Ana Karina Matos Guimarães foi morto por volta das 21 horas do dia 10 de maio deste ano. Alessandro Camilo, segundo os autos, teria disparado cinco tiros de pistola nela, fato ocorrido no loteamento “Martini” em Parauapebas.
Após matar a jovem, ele teria ido até a casa do “Magrão”, situada na avenida Liberdade, 12, bairro Rio Verde e pedido a ajuda para esconder o corpo, sendo que ambos colocaram o corpo dentro de um tambor e com ajuda do Florentino, o Minego, jogado dentro do rio.
Advogado pediu a prisão de delegado
O inquérito policial está sendo presidido pelo delegado André Luis Nunes Albuquerque, que entre outras coisas levantou que o pecuarista Macarrão andava há alguns dias com um tambor de metal em cima de uma camionete dele, provavelmente para ocultar o corpo de Ana Karina.
A respeito desse caso o advogado Dácio Antonio Gonçalves Cunha, que defende o pecuarista e a Grasy, pediu a prisão preventiva do delegado André Luiz e da advogada de acusação, Amanda marra Saldanha.
Ele também requereu busca e apreensão em todos os veículos de comunicação da região a fim de que fossem recolhidas as matérias referentes ao caso.
O entendimento do advogado seria que o delegado teria conduzido o inquérito de forma parcial e que os veículos de comunicação estariam tratando o caso como se os acusados já fossem culpados. Ambos os pedidos foram negados pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE).
Não satisfeito com a atuação do delegado, o advogado requereu ao juiz da Comarca de Paraupebas, Líbio Araújo Moura que determinasse a retirada do blog do Zé Dudu, que estaria veiculando informações do processo que segue em segredo de justiça.
Não precisa nem dizer que o juiz indeferiu tais pedidos absurdos e determinou a abertura completa do inquérito que é de conhecimento público.
No caso das matérias que estão sendo veiculados na imprensa regional, um atento observador faz a seguinte colocação: “Bastava o escritório requerer via ofício as matérias que seria atendido, ou senão faria assinaturas dos jornais e revistas da região, que ficaria bem informado”.
Independentemente dos apelos do advogado, os acusados, caso haja celeridade da Justiça de Parauapebas, podem ser julgados até o final deste ano.
“Não temos pressa que o julgamento aconteça, deixem eles lá para pagarem pelo crime que cometerem, o mais importante nesse momento é localizar o corpo da minha filha”, comentou Maria Íris se dizendo incansável nas buscas. (E.S.)
Família não desiste das buscas
Edinaldo Sousa - “Deus não deixa obra inacabada”, dessa forma se pronunciou a dona de casa, Maria Íris Matos Guimarães, mãe da comerciária Ana Karina Matos Guimarães, morta no dia 10 de maio deste ano em Parauapebas.
O corpo de Ana Karina pode ter sido colocado dentro de um tambor com pedras e arremessado de cima de uma ponte do rio Itacaiúnas, divisa de Marabá com Parauapebas no mesmo dia em que saiu da casa.
O principal acusado de ter matado a jovem é o pecuarista Alessandro Camilo de Lima, o “Macarrão”, que segundo informações da Polícia de Parauapebas mantinha um relacionamento extraconjugal com a jovem, que por sua vez estaria grávida no nono mês.
Para esconder tal relacionamento e para não assumir a paternidade, Macarrão teria cometido o crime. Para tanto ele contou com a ajuda do ex-funcionário dele, Francisco de Assis Dias, o “Magrão” e de um amigo, Florentino de Sousa Rodrigues o “Minego”.
Desde o desaparecimento da jovem que os familiares dela tentam localizar o corpo. Militares do Corpo de Bombeiros de Parauapebas, Marabá e Belém, permaneceram no rio Itacaiúnas durante 16 dias no mês de maio e não conseguiram localizar o corpo.
Nas últimas três semanas a família de Ana Karina mantém quatro mergulhadores, um pescador, um motorista que literalmente estão acampados na beira do rio Itacaiúnas e vasculham um raio de pelo menos 20 quilômetros partindo da ponte, rio abaixo e até ontem ainda não tinham localizado o tambor com o corpo da comerciária.
Essas novas buscas estão sendo feitas por mergulhadores que participaram das buscas aos corpos dos irmãos Ubiraci e Uiraquitan Novelino, assassinados em abril de 2007. Estes mergulhadores localizaram os corpos em maio daquele mesmo ano, na baía do Guajará.
Apesar da frustração a mãe da comerciária se mantém firme e disse que não desistirá de tentar localizar os restos mortais da filha. “O mal nunca vence o bem e tenho esperanças que o corpo da minha filha será localizado”, comenta.
Neste inquérito policial estão indiciados: Alessandro Camilo de Lima, o “Macarrão”, Francisco de Assis Dias, o “Magrão” e de um amigo, Florentino de Sousa Rodrigues o “Minego”, Grasiela Barros Almeida, noiva do Macarrão e Pedro Ribeiro Lordeiro, amigo do casal, que teria guardado uma pistola calibre 380 usada para matar a comerciária.
A Polícia apontou a Grasy como sendo a mentora intelectual do crime, enquanto Pedro Lordeiro teria guardado a arma, uma pistola calibre 380, usada para matar Ana Karina.
Ambos estão com prisões preventivas decretadas, sendo que a Grasy está foragida, porém pode ser presa a qualquer momento.
O crime – Ana Karina Matos Guimarães foi morto por volta das 21 horas do dia 10 de maio deste ano. Alessandro Camilo, segundo os autos, teria disparado cinco tiros de pistola nela, fato ocorrido no loteamento “Martini” em Parauapebas.
Após matar a jovem, ele teria ido até a casa do “Magrão”, situada na avenida Liberdade, 12, bairro Rio Verde e pedido a ajuda para esconder o corpo, sendo que ambos colocaram o corpo dentro de um tambor e com ajuda do Florentino, o Minego, jogado dentro do rio.
Advogado pediu a prisão de delegado
O inquérito policial está sendo presidido pelo delegado André Luis Nunes Albuquerque, que entre outras coisas levantou que o pecuarista Macarrão andava há alguns dias com um tambor de metal em cima de uma camionete dele, provavelmente para ocultar o corpo de Ana Karina.
A respeito desse caso o advogado Dácio Antonio Gonçalves Cunha, que defende o pecuarista e a Grasy, pediu a prisão preventiva do delegado André Luiz e da advogada de acusação, Amanda marra Saldanha.
Ele também requereu busca e apreensão em todos os veículos de comunicação da região a fim de que fossem recolhidas as matérias referentes ao caso.
O entendimento do advogado seria que o delegado teria conduzido o inquérito de forma parcial e que os veículos de comunicação estariam tratando o caso como se os acusados já fossem culpados. Ambos os pedidos foram negados pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE).
Não satisfeito com a atuação do delegado, o advogado requereu ao juiz da Comarca de Paraupebas, Líbio Araújo Moura que determinasse a retirada do blog do Zé Dudu, que estaria veiculando informações do processo que segue em segredo de justiça.
Não precisa nem dizer que o juiz indeferiu tais pedidos absurdos e determinou a abertura completa do inquérito que é de conhecimento público.
No caso das matérias que estão sendo veiculados na imprensa regional, um atento observador faz a seguinte colocação: “Bastava o escritório requerer via ofício as matérias que seria atendido, ou senão faria assinaturas dos jornais e revistas da região, que ficaria bem informado”.
Independentemente dos apelos do advogado, os acusados, caso haja celeridade da Justiça de Parauapebas, podem ser julgados até o final deste ano.
“Não temos pressa que o julgamento aconteça, deixem eles lá para pagarem pelo crime que cometerem, o mais importante nesse momento é localizar o corpo da minha filha”, comentou Maria Íris se dizendo incansável nas buscas. (E.S.)
sábado, 11 de setembro de 2010
Trabalho escravo: praga que assola o país
OIT sugere veto a empresas escravocratas
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) quer evitar que empresas estrangeiras importem do Brasil bens produzidos com trabalho escravo. O impedimento já existe no mercado interno: grandes empresas assumiram com a OIT o compromisso de fiscalizar seus fornecedores, e de não comprar de nenhum suspeito da prática do crime.
Segundo Luiz Antonio Torres Machado, coordenador do projeto de combate ao trabalho escravo da OIT-Brasil, representantes de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) aderiram ao pacto.
A estratégia é incluir também o comprador de outros países no combate ao trabalho escravo, seguindo o modelo implantado no Brasil em 2003.
Segundo Machado, há pelo menos um caso em que o envolvimento do importador estrangeiro trouxe bons resultados: algumas empresas de siderurgia do polo de Carajás foram punidas pelo Ministério do Trabalho por comprar de fornecedores que mantinham trabalhadores em regime de escravidão.
Diante da repercussão internacional e ameaça de embargo dos Estados Unidos, o polo de Carajás criou um instituto para fiscalizar seus fornecedores. “A resposta foi muito boa”, afirmou Machado durante II Encontro Nacional do Fórum de Assuntos Fundiários, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no final de semana passada.
Jônatas dos Santos Andrade, juiz do Trabalho de Paraupebas (PA), que também participou do evento, explicou que sanções pecuniárias são mais eficientes, neste caso, do que penas restritivas da liberdade. Mas o Judiciário e o Ministério Público também enfrentam dificuldade para aplicar multas em valor que possa abalar a empresa. Num caso recente, contou ele, uma fazenda avaliada em mais de R$ 200 milhões foi condenada a pagar multa de R$ 5 milhões por causa de trabalho escravo. O Ministério Público tinha pedido R$ 85 milhões.
Para ele, a pena de prisão também não resolve, pelo menos enquanto o criminoso detiver a riqueza. Além de continuar a praticar o crime, o criminoso consegue reduzir a pena e acaba sem punição.
Perfil - A vítima de trabalho escravo no Brasil é do sexo masculino, analfabeto e tem entre 21 e 30 anos de idade. O perfil foi apresentado pela OIT. Segundo Luiz Antonio Torres Machado, 85% das vítimas começaram a trabalhar com até 12 anos de idade. Os criminosos aproveitam a situação de fragilidade dos trabalhadores, como miséria e desemprego, para recrutá-los, explicou Machado.
De acordo com a OIT, a maioria dos trabalhadores escravizados vem do Maranhão, e grande parte dos resgates até agora foi feita no Pará.
Eles trabalham em regime de escravidão principalmente na agropecuária, em lavoura de cana-de-açúcar e na produção de carvão vegetal. Há registros também do crime nos segmentos de soja, café e algodão. “O trabalho escravo não é exclusividade do Norte. É como câncer que tem se espalhado por todo o Brasil”, disse Jônatas Andrade.
Agência CNJ de Notícias
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) quer evitar que empresas estrangeiras importem do Brasil bens produzidos com trabalho escravo. O impedimento já existe no mercado interno: grandes empresas assumiram com a OIT o compromisso de fiscalizar seus fornecedores, e de não comprar de nenhum suspeito da prática do crime.
Segundo Luiz Antonio Torres Machado, coordenador do projeto de combate ao trabalho escravo da OIT-Brasil, representantes de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) aderiram ao pacto.
A estratégia é incluir também o comprador de outros países no combate ao trabalho escravo, seguindo o modelo implantado no Brasil em 2003.
Segundo Machado, há pelo menos um caso em que o envolvimento do importador estrangeiro trouxe bons resultados: algumas empresas de siderurgia do polo de Carajás foram punidas pelo Ministério do Trabalho por comprar de fornecedores que mantinham trabalhadores em regime de escravidão.
Diante da repercussão internacional e ameaça de embargo dos Estados Unidos, o polo de Carajás criou um instituto para fiscalizar seus fornecedores. “A resposta foi muito boa”, afirmou Machado durante II Encontro Nacional do Fórum de Assuntos Fundiários, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no final de semana passada.
Jônatas dos Santos Andrade, juiz do Trabalho de Paraupebas (PA), que também participou do evento, explicou que sanções pecuniárias são mais eficientes, neste caso, do que penas restritivas da liberdade. Mas o Judiciário e o Ministério Público também enfrentam dificuldade para aplicar multas em valor que possa abalar a empresa. Num caso recente, contou ele, uma fazenda avaliada em mais de R$ 200 milhões foi condenada a pagar multa de R$ 5 milhões por causa de trabalho escravo. O Ministério Público tinha pedido R$ 85 milhões.
Para ele, a pena de prisão também não resolve, pelo menos enquanto o criminoso detiver a riqueza. Além de continuar a praticar o crime, o criminoso consegue reduzir a pena e acaba sem punição.
Perfil - A vítima de trabalho escravo no Brasil é do sexo masculino, analfabeto e tem entre 21 e 30 anos de idade. O perfil foi apresentado pela OIT. Segundo Luiz Antonio Torres Machado, 85% das vítimas começaram a trabalhar com até 12 anos de idade. Os criminosos aproveitam a situação de fragilidade dos trabalhadores, como miséria e desemprego, para recrutá-los, explicou Machado.
De acordo com a OIT, a maioria dos trabalhadores escravizados vem do Maranhão, e grande parte dos resgates até agora foi feita no Pará.
Eles trabalham em regime de escravidão principalmente na agropecuária, em lavoura de cana-de-açúcar e na produção de carvão vegetal. Há registros também do crime nos segmentos de soja, café e algodão. “O trabalho escravo não é exclusividade do Norte. É como câncer que tem se espalhado por todo o Brasil”, disse Jônatas Andrade.
Agência CNJ de Notícias
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Calote
Prefeito não paga mensalidade
Essa é boa. Fonte segura desse post informou que o prefeito de Marabá, Maurino Magalhães de Lima (PR) não paga, há quatro meses, a mensalidade do filho dele que estuda numa escola particular da Folha 28, Nova Marabá.
Das duas uma: ou o prefeito anda muito ocupado com as atribulações do dia a dia, afinal administrar não pra qualquer um, ou não liga para o filho. Resta saber se a escola vai manter o filho do gestor na escola.
Essa é boa. Fonte segura desse post informou que o prefeito de Marabá, Maurino Magalhães de Lima (PR) não paga, há quatro meses, a mensalidade do filho dele que estuda numa escola particular da Folha 28, Nova Marabá.
Das duas uma: ou o prefeito anda muito ocupado com as atribulações do dia a dia, afinal administrar não pra qualquer um, ou não liga para o filho. Resta saber se a escola vai manter o filho do gestor na escola.
CPT divulga dados de conflitos no campo
Conflitos pela água crescem 32%
A Comissão Pastoral da Terra lançou hoje (ontem) os dados parciais dos Conflitos no Campo Brasil relativos ao período de 1º de janeiro a 31 de julho deste ano. Três elementos chamam a atenção nestes dados:
O primeiro é o aumento de Conflitos pela Água em 2010; O segundo é que mais da metade dos conflitos por terra, 54%, ocorreram no Nordeste, onde cresceu o número de conflitos.
O terceiro, muito preocupante, é que contrariamente ao restante do Brasil, no Sudeste e no Sul do país cresceram e de forma expressiva, alguns índices de conflitos e violência.
Nestas duas regiões, “mais ricas e desenvolvidas do país”, cresceu o número de trabalhadores presos e o de agredidos. Além disso, cresceu o número de ações de despejo.
Outro dado provoca estranheza. No Sudeste e no Sul, tanto em 2009, quanto em 2010, todos os estados destas regiões, registraram ocorrências de trabalho escravo.
O Sudeste com o aumento de ocorrências, porém com diminuição de trabalhadores envolvidos e libertados, e o Sul com a diminuição das ocorrências, mas com aumento significativo no número de trabalhadores envolvidos e libertados.
O trabalho escravo, anos atrás era atribuído ao atraso das regiões Norte e Nordeste, agora se constata com persistência e crescimento nas regiões onde o “progresso” já se instalou definitivamente.
Conflitos pela água
De janeiro a julho de 2010 foram registrados pela CPT, 29 conflitos pela água envolvendo 25.255 famílias. Número 32% maior do que igual período de 2009, quando se registraram 22 conflitos envolvendo 20.458 famílias.
Em todas as regiões, menos no Norte, os conflitos pela água cresceram: 50%, passando de 2 para 3 no Centro-Oeste; 18,5%, indo de 7 para 9, no Nordeste; 175%, crescendo de 4 para 11 no Sudeste; e 50% de 2 para 3 no Sul.
No Norte foram registrados 7 conflitos em 2009, e 3 em 2010, mas cresceu em 395% o número de famílias envolvidas nestes conflitos. Passaram de 2.250 famílias em 2009, para 11.150, em 2010.
Dos 29 conflitos pela água, 11, ou 38%, estão relacionados com a construção de barragens e ocorreram em 14 estados da Federação, em 2010, quando em 2009, atingiram 13 estados.
Sudeste e Sul destacam-se pelos números de violência. Os dados da CPT apresentam declínio nos números absolutos da violência contra a pessoa, no período de janeiro a julho, de 2009 para 2010.
Mesmo com essa queda, na região Nordeste houve aumento no número de assassinatos, passando de 3, em 2009, para 4 em 2010. E nas regiões Sudeste e Sul houve um aumento significativo no número de trabalhadores presos e agredidos.
No Sudeste o número de trabalhadores presos passou de 3, em 2009, para 11 em 2010, aumento de 276% e o número de agredidos passou de 4 para 15, mais 275%. Na região Sul, o número de presos passou de 12 em 2009, para 18, em 2010 (mais 50%) e o número de agredidos de 2, em 2009, para 20, em 2010, (mais 900%).
Nordeste concentra 54% dos conflitos por terra
O Nordeste registra 54% dos conflitos por terra de todo o Brasil. Diferentemente do restante do país, nesta região do país, o número de conflitos por terra passou de 158, em 2009, para 194, em 2010.
As ocorrências de conflitos por terra passaram de 95 para 126 e o de ocupações de 57, para 65. Já o número de acampamentos reduziu de 6, para 3.
Nas demais regiões do Brasil, os conflitos por terra, ocupações e acampamentos sofreram redução, em 2010, em relação ao mesmo período de 2009. São 365 ocorrências de conflitos em 2010, envolvendo 33.413 famílias, contra 547 ocorrências em 2009, envolvendo 47.739 famílias.
Mas, em contrapartida, afirma a CPT, os dados mostram que o número médio de famílias envolvidas em conflitos por terra, em 2010, aumentou, chegando a 94, enquanto que em 2009 a média era de 87 famílias envolvidas.
Famílias expulsas e despejadas
Diminuiu o número de famílias expulsas e despejadas. Em 2009, registraram-se no período, 16 ocorrências de expulsão atingindo 800 famílias. Em 2010, são 10 ocorrências, envolvendo 653 famílias.
Em relação ao número de famílias despejadas pelo poder judiciário, foram 52 ocorrências, com despejo de 6.844 famílias, em 2009, e 44 ocorrências envolvendo 3.792 famílias, em 2010.
Apesar do decréscimo no número total de ações de despejo, houve crescimento destes números na região Centro-Oeste, mais 25%, passando de 4 ocorrências, em 2009, para 5 em 2010; mais 33% no Sudeste, passando de 9 para 12 e mais 120% no Sul, cujos números passaram de 5, em 2009, para 11, em 2010.
Manifestações - No período cresceu o número de manifestações, mais 18%. Passaram de 323 envolvendo 104.262 pessoas, em 2009, para 385, em 2010, com a participação de 165.530 pessoas.
Este número cresceu no Nordeste, passou de 95 para 130; no Norte; de 53 para 55, e no Sudeste, de 45 para 79. Na região Sul o número manteve-se igual, 78, porém com um número muito maior de participantes, 28.260 pessoas em 2010, 13.178, em 2009. Só na região Centro-Oeste é que o número das manifestações decresceu de 52 para 43.
Destas 385 manifestações, 62 foram relacionadas aos conflitos pela água, 39 das quais relativas à construção de barragens.
Trabalho Escravo - Os números relativos ao trabalho escravo são menores no período de janeiro a julho de 2010. Em 2009, foram registradas 134 ocorrências de trabalho escravo, envolvendo 4.241 trabalhadores, com a libertação de 2.819.
Em 2010, foram registradas 107 ocorrências envolvendo 1.963 trabalhadores, dos quais 1.668 foram libertados.
O que mais chama a atenção é o aumento de ocorrências no Centro-Oeste. Passaram de 16 ocorrências, em 2009, com 259 trabalhadores envolvidos e libertados, para 21 ocorrências em 2010, com a libertação de 526 trabalhadores.
Sobressai neste quadro o estado de Goiás, que passou de 6 para 13 ocorrências, passando de 259 para 490 o número de trabalhadores libertados.
Na região Sudeste, todos os estados apresentaram ocorrências de trabalho escravo e o número de ocorrências subiu de 13 para 16, porém com um número significativamente menor de trabalhadores libertados (1266, em 2009 – 268, em 2010).
Na região Sul, também todos os estados apresentaram ocorrências de trabalho escravo, mas com decréscimo no número de ocorrências: 12 em 2009, 8, em 2010, ou seja, - 33%.
Mas o número de trabalhadores libertados quase triplicou: passou de 112 para 319, 184% a mais. Destaque para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Rio Grande do Sul passou de 1 ocorrência, em 2009, com quatro trabalhadores envolvidos e libertados para 2 ocorrências, em 2010, com 29 trabalhadores envolvidos e libertados. Santa Catarina passou de 3 ocorrências em 2009, para 5 em 2010, com um crescimento expressivo no número de trabalhadores envolvidos e libertados. Passou de 38, para 223. Mais 486%
Alagoas e Amazonas, que não figuravam entre os estados com trabalho escravo em 2009, aparecem em 2010. Alagoas registrou uma ocorrência, com 20 trabalhadores envolvidos e libertados. Amazonas registrou duas ocorrências com 13 trabalhadores envolvidos e libertados.
Uma observação importante. Estes são dados parciais. De diversas regiões do país, sobretudo do Norte, não nos chegaram as informações completas, podendo, assim, os números sofrerem alterações expressivas ao serem incorporados novos dados. (Ascom CPT Nacional)
A Comissão Pastoral da Terra lançou hoje (ontem) os dados parciais dos Conflitos no Campo Brasil relativos ao período de 1º de janeiro a 31 de julho deste ano. Três elementos chamam a atenção nestes dados:
O primeiro é o aumento de Conflitos pela Água em 2010; O segundo é que mais da metade dos conflitos por terra, 54%, ocorreram no Nordeste, onde cresceu o número de conflitos.
O terceiro, muito preocupante, é que contrariamente ao restante do Brasil, no Sudeste e no Sul do país cresceram e de forma expressiva, alguns índices de conflitos e violência.
Nestas duas regiões, “mais ricas e desenvolvidas do país”, cresceu o número de trabalhadores presos e o de agredidos. Além disso, cresceu o número de ações de despejo.
Outro dado provoca estranheza. No Sudeste e no Sul, tanto em 2009, quanto em 2010, todos os estados destas regiões, registraram ocorrências de trabalho escravo.
O Sudeste com o aumento de ocorrências, porém com diminuição de trabalhadores envolvidos e libertados, e o Sul com a diminuição das ocorrências, mas com aumento significativo no número de trabalhadores envolvidos e libertados.
O trabalho escravo, anos atrás era atribuído ao atraso das regiões Norte e Nordeste, agora se constata com persistência e crescimento nas regiões onde o “progresso” já se instalou definitivamente.
Conflitos pela água
De janeiro a julho de 2010 foram registrados pela CPT, 29 conflitos pela água envolvendo 25.255 famílias. Número 32% maior do que igual período de 2009, quando se registraram 22 conflitos envolvendo 20.458 famílias.
Em todas as regiões, menos no Norte, os conflitos pela água cresceram: 50%, passando de 2 para 3 no Centro-Oeste; 18,5%, indo de 7 para 9, no Nordeste; 175%, crescendo de 4 para 11 no Sudeste; e 50% de 2 para 3 no Sul.
No Norte foram registrados 7 conflitos em 2009, e 3 em 2010, mas cresceu em 395% o número de famílias envolvidas nestes conflitos. Passaram de 2.250 famílias em 2009, para 11.150, em 2010.
Dos 29 conflitos pela água, 11, ou 38%, estão relacionados com a construção de barragens e ocorreram em 14 estados da Federação, em 2010, quando em 2009, atingiram 13 estados.
Sudeste e Sul destacam-se pelos números de violência. Os dados da CPT apresentam declínio nos números absolutos da violência contra a pessoa, no período de janeiro a julho, de 2009 para 2010.
Mesmo com essa queda, na região Nordeste houve aumento no número de assassinatos, passando de 3, em 2009, para 4 em 2010. E nas regiões Sudeste e Sul houve um aumento significativo no número de trabalhadores presos e agredidos.
No Sudeste o número de trabalhadores presos passou de 3, em 2009, para 11 em 2010, aumento de 276% e o número de agredidos passou de 4 para 15, mais 275%. Na região Sul, o número de presos passou de 12 em 2009, para 18, em 2010 (mais 50%) e o número de agredidos de 2, em 2009, para 20, em 2010, (mais 900%).
Nordeste concentra 54% dos conflitos por terra
O Nordeste registra 54% dos conflitos por terra de todo o Brasil. Diferentemente do restante do país, nesta região do país, o número de conflitos por terra passou de 158, em 2009, para 194, em 2010.
As ocorrências de conflitos por terra passaram de 95 para 126 e o de ocupações de 57, para 65. Já o número de acampamentos reduziu de 6, para 3.
Nas demais regiões do Brasil, os conflitos por terra, ocupações e acampamentos sofreram redução, em 2010, em relação ao mesmo período de 2009. São 365 ocorrências de conflitos em 2010, envolvendo 33.413 famílias, contra 547 ocorrências em 2009, envolvendo 47.739 famílias.
Mas, em contrapartida, afirma a CPT, os dados mostram que o número médio de famílias envolvidas em conflitos por terra, em 2010, aumentou, chegando a 94, enquanto que em 2009 a média era de 87 famílias envolvidas.
Famílias expulsas e despejadas
Diminuiu o número de famílias expulsas e despejadas. Em 2009, registraram-se no período, 16 ocorrências de expulsão atingindo 800 famílias. Em 2010, são 10 ocorrências, envolvendo 653 famílias.
Em relação ao número de famílias despejadas pelo poder judiciário, foram 52 ocorrências, com despejo de 6.844 famílias, em 2009, e 44 ocorrências envolvendo 3.792 famílias, em 2010.
Apesar do decréscimo no número total de ações de despejo, houve crescimento destes números na região Centro-Oeste, mais 25%, passando de 4 ocorrências, em 2009, para 5 em 2010; mais 33% no Sudeste, passando de 9 para 12 e mais 120% no Sul, cujos números passaram de 5, em 2009, para 11, em 2010.
Manifestações - No período cresceu o número de manifestações, mais 18%. Passaram de 323 envolvendo 104.262 pessoas, em 2009, para 385, em 2010, com a participação de 165.530 pessoas.
Este número cresceu no Nordeste, passou de 95 para 130; no Norte; de 53 para 55, e no Sudeste, de 45 para 79. Na região Sul o número manteve-se igual, 78, porém com um número muito maior de participantes, 28.260 pessoas em 2010, 13.178, em 2009. Só na região Centro-Oeste é que o número das manifestações decresceu de 52 para 43.
Destas 385 manifestações, 62 foram relacionadas aos conflitos pela água, 39 das quais relativas à construção de barragens.
Trabalho Escravo - Os números relativos ao trabalho escravo são menores no período de janeiro a julho de 2010. Em 2009, foram registradas 134 ocorrências de trabalho escravo, envolvendo 4.241 trabalhadores, com a libertação de 2.819.
Em 2010, foram registradas 107 ocorrências envolvendo 1.963 trabalhadores, dos quais 1.668 foram libertados.
O que mais chama a atenção é o aumento de ocorrências no Centro-Oeste. Passaram de 16 ocorrências, em 2009, com 259 trabalhadores envolvidos e libertados, para 21 ocorrências em 2010, com a libertação de 526 trabalhadores.
Sobressai neste quadro o estado de Goiás, que passou de 6 para 13 ocorrências, passando de 259 para 490 o número de trabalhadores libertados.
Na região Sudeste, todos os estados apresentaram ocorrências de trabalho escravo e o número de ocorrências subiu de 13 para 16, porém com um número significativamente menor de trabalhadores libertados (1266, em 2009 – 268, em 2010).
Na região Sul, também todos os estados apresentaram ocorrências de trabalho escravo, mas com decréscimo no número de ocorrências: 12 em 2009, 8, em 2010, ou seja, - 33%.
Mas o número de trabalhadores libertados quase triplicou: passou de 112 para 319, 184% a mais. Destaque para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Rio Grande do Sul passou de 1 ocorrência, em 2009, com quatro trabalhadores envolvidos e libertados para 2 ocorrências, em 2010, com 29 trabalhadores envolvidos e libertados. Santa Catarina passou de 3 ocorrências em 2009, para 5 em 2010, com um crescimento expressivo no número de trabalhadores envolvidos e libertados. Passou de 38, para 223. Mais 486%
Alagoas e Amazonas, que não figuravam entre os estados com trabalho escravo em 2009, aparecem em 2010. Alagoas registrou uma ocorrência, com 20 trabalhadores envolvidos e libertados. Amazonas registrou duas ocorrências com 13 trabalhadores envolvidos e libertados.
Uma observação importante. Estes são dados parciais. De diversas regiões do país, sobretudo do Norte, não nos chegaram as informações completas, podendo, assim, os números sofrerem alterações expressivas ao serem incorporados novos dados. (Ascom CPT Nacional)
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Muito esforço pra nada
Guerrilha do Araguaia
GTT ainda não localizou restos mortais
Edinaldo Sousa – O Grupo de Trabalho Tocantins (GTT) ainda não localizou restos mortais de militantes do PCdoB, mortos em confronto com o Exército Brasileiro durante a Guerrilha do Araguaia (1969 a 1974), que se desenrolou no “Bico do Papagaio”, nos estados do Pará, Tocantins e Maranhão.
Peritos forenses, desde o dia 22 de agosto, fazem o trabalho de buscas no Cemitério de Xambioá-TO. Oito pontos foram demarcados no cemitério daquele município, mas até ontem seis deles foram escavacados.
Nestas buscas há a colaboração de guerrilheiros e simpatizantes como Micheas Gomes de Almeida, o “Zezinho do Araguaia”, que indicou alguns pontos onde pelo menos quatro guerrilheiros teriam sido sepultados, porém os restos mortais não foram localizados.
Segundo o relações públicas da 23ª Brigada, major Paulo Cezar Crocetti esta é a 9ª expedição do GTT e a quarta deste ano. As buscas devem prosseguir até o próximo domingo, ou na segunda-feira (30)
Os trabalhos, segundo ele, seguem critérios geológicos e os peritos forenses vasculham os pontos escavacados com o maior cuidado no intuito de localizar os restos mortais.
Em dois pontos os peritos localizaram vestígios de corpos, porém descartaram ser de guerrilheiro, pois foram localizados restos de madeira o que significa dizer que as pessoas foram sepultadas em caixões, diferentemente dos guerrilheiros, que simplesmente eram jogados em covas.
O fato de não ter localizado os restos mortais de guerrilheiros reforça a tese de muitos historiadores de que pode ter havido a operação limpeza, ou seja, os corpos dos guerrilheiros foram retirados das sepulturas e jogados em outros lugares de difícil localização.
Em setembro acontece a 10ª Expedição do GTT, cujos peritos devem escavacar pontos na localidade Santa Isabel, em Palestina do Pará.
Os trabalhos têm o acompanhamento da Polícia Federal, Ministério Público Federal e foi autorizada pela juíza Solange Salgado, 1ª Vara Federal e de militares do Exército Brasileiro.
Microformato
Oficialmente foram mortos 69 guerrilheiros, entre militantes do PC do B e simpatizantes e 16 militares foram mortos, boa parte deles em confronto com a própria Polícia Militar, como foi o caso do sargento Francisco das Chagas Alves de Brito, do Exército, e um sargento da Polícia Militar; além de ficarem feridos os soldados Manoel Pestana da Silva, do Exército, e um soldado da PM
GTT ainda não localizou restos mortais
Edinaldo Sousa – O Grupo de Trabalho Tocantins (GTT) ainda não localizou restos mortais de militantes do PCdoB, mortos em confronto com o Exército Brasileiro durante a Guerrilha do Araguaia (1969 a 1974), que se desenrolou no “Bico do Papagaio”, nos estados do Pará, Tocantins e Maranhão.
Peritos forenses, desde o dia 22 de agosto, fazem o trabalho de buscas no Cemitério de Xambioá-TO. Oito pontos foram demarcados no cemitério daquele município, mas até ontem seis deles foram escavacados.
Nestas buscas há a colaboração de guerrilheiros e simpatizantes como Micheas Gomes de Almeida, o “Zezinho do Araguaia”, que indicou alguns pontos onde pelo menos quatro guerrilheiros teriam sido sepultados, porém os restos mortais não foram localizados.
Segundo o relações públicas da 23ª Brigada, major Paulo Cezar Crocetti esta é a 9ª expedição do GTT e a quarta deste ano. As buscas devem prosseguir até o próximo domingo, ou na segunda-feira (30)
Os trabalhos, segundo ele, seguem critérios geológicos e os peritos forenses vasculham os pontos escavacados com o maior cuidado no intuito de localizar os restos mortais.
Em dois pontos os peritos localizaram vestígios de corpos, porém descartaram ser de guerrilheiro, pois foram localizados restos de madeira o que significa dizer que as pessoas foram sepultadas em caixões, diferentemente dos guerrilheiros, que simplesmente eram jogados em covas.
O fato de não ter localizado os restos mortais de guerrilheiros reforça a tese de muitos historiadores de que pode ter havido a operação limpeza, ou seja, os corpos dos guerrilheiros foram retirados das sepulturas e jogados em outros lugares de difícil localização.
Em setembro acontece a 10ª Expedição do GTT, cujos peritos devem escavacar pontos na localidade Santa Isabel, em Palestina do Pará.
Os trabalhos têm o acompanhamento da Polícia Federal, Ministério Público Federal e foi autorizada pela juíza Solange Salgado, 1ª Vara Federal e de militares do Exército Brasileiro.
Microformato
Oficialmente foram mortos 69 guerrilheiros, entre militantes do PC do B e simpatizantes e 16 militares foram mortos, boa parte deles em confronto com a própria Polícia Militar, como foi o caso do sargento Francisco das Chagas Alves de Brito, do Exército, e um sargento da Polícia Militar; além de ficarem feridos os soldados Manoel Pestana da Silva, do Exército, e um soldado da PM
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Incra e Celpa abandonam colonos
Colonos não têm direito a serviço básico
Edinaldo Sousa
De Marabá
O que dizer de uma comunidade que há mais de duas décadas vive isolada do mundo durante a metade do ano? Pois é dessa maneira que cerca de 200 colonos dos assentamentos Castanheira e Sereno, zona rural de Marabá, se sentem. Ali vivem 144 famílias.
Energia elétrica é artigo de luxo, apesar das propagandas institucionais afirmarem que todos os trabalhadores rurais do Brasil usufruem do serviço.
Quem tem um pouco de recurso compra placa solar para ter o mínimo de energia. Os menos aquinhoados são obrigados a iluminar as casas com candeeiros, lamparina, ou velas. É, seguramente, uma parte do Brasil que está esquecida.
A estrada vicinal, tão essencial aos colonos, é precária, porém situação não menos delicada são as diversas pontes (pinguelas) quase instransponíveis. Em visita recente a este assentamento o Opinião sentiu de perto o drama dos colonos percorrendo mais de 200 km.
Em 20 anos a espera do progresso, os recursos que a Superintendência Regional do Incra em Marabá administra ainda não chegaram para os colonos desses assentamentos, que perto da cidade mas isolados, esquecidos.
Entre os moradores, Lourival Sousa Silva, o Irmão Lourival, de 57 anos, que há pelo menos 20 anos mora no assentamento Castanheira, encabeça um movimento que cobra benfeitorias para a comunidade.
“Se tivesse energia elétrica, a nossa vida seria melhor, mas até hoje já vi alguns carros da Celpa medindo para colocar os postes, mas até agora tudo não passou de promessas”, desabafa.
“Tudo fica mais difícil sem energia, não temos conforto, não podemos guardar nada, tudo tem de ser salgado, senão perde”, lamenta o colono, acrescentando que por várias vezes pediu ajuda, mas ainda não conseguiu apoio.
A dona de casa Olga Ribeiro enfrenta dificuldades para conservar os alimentos. “Sem geladeira tudo fica mais difícil dentro de uma casa”, observa, dizendo que tem de fazer verdadeiro malabarismo na casa.
O marido dela, Wiliam Chaves, disse que a casa onde moram, no assentamento Sereno, está distante cerca de cinco quilômetros da rede de energia que atende ao assentamento Moça Bonita, em Eldorado do Carajás.
“Estou a menos de cinco quilômetros da rede de energia elétrica, já fiz várias tentativas para conseguir energia, mas até então não consegui”, lamenta.
Para ele, porém, outro problema não menos grave é a acessibilidade. Para chegar a Marabá, no período de inverno, tem de contornar pelo menos 50 quilômetros para ter acesso a Eldorado, ou Curionópolis e somente depois apanhar a PA-275 e BR-155.
Toda essa manobra se dá porque a estrada vicinal que corta os PAs Sereno e Castanheira, durante o inverno, fica parcialmente intrafegável devido à água pluvial e das cheias de córregos.
Ele conta que praticamente todas as pontes daquela região são feitas em mutirão. “Aqui nós somos os responsáveis pelas construções das pontes”, comenta, se referindo que uma delas transpõe o igarapé Gengibre. “Todos os anos temos de fazer a manutenção e recuperar essas pontes”, acrescenta.
“Mágica” – “Pra viver aqui tem que fazer mágica, pois não é fácil, estou há dez anos pelejando e não melhora nada”, comentou o agricultor Kleverson da Costa.
Pilotando uma moto, que aliás é o principal meio de transporte nas estradas que mais parecem trilhas, ele disse que a produção do leite do assentamento é toda consumida entre as famílias porque não existe estrada para escoar a produção.
“Ninguém quer vir aqui apanhar o leite, pois não tem estrada”, comenta informando que praticamente todos os produtores daquela região fazem queijo e vendem nos centros urbanos.
O mesmo acontece com a lavoura, que serve apenas para subsistência.
Na área onde mora, vive praticamente ilhado, pois os carros de pequeno porte não passam nas pontes (pinguelas).
O colono lembra que, quando havia madeira naquela região, os madeireiros faziam os arrastões que permitiam a trafegabilidade. “Agora que acabaram com toda a madeira estamos abandonados e esquecidos”, lamenta.
As histórias de abandono se repetem em boa parte dos 500 assentamentos no sul e sudeste do Pará.
O jornal manteve contato telefônico e também enviou e-mail para a Assessoria de Comunicação da Celpa, em Belém, que ficou de enviar uma resposta sobre as queixas dos colonos, mas até o fechamento da edição nenhuma resposta foi enviada.
Inoperância
Superintendente admite precariedade em PAs
A superintendência regional do Incra em Marabá, Rosinete Lima, que administra um orçamento quase igual ao do município de Marabá, admite que a Reforma Agrária tão defendida pelos movimentos não deu aos agricultores uma vida mais digna no campo.
Rose reconhece que a situação é de abandono nesse e em outros assentamentos. Prometeu verificar a situação dessas comunidades para tentar alocar recurso na Programação Orçamentária (PO) para o próximo ano.
Contou que recentemente visitou assentamentos nos municípios de Santa Maria das Barreiras e Santana do Araguaia, no sul do Pará, onde ouviu queixas dos colonos que cobram o direito a estrada e energia elétrica.
Sobre a falta de energia nos assentamentos, a superintendente admitiu que o programa “Luz para Todos”, programa do Governo Federal está atrasado no Pará. Disse também que o Incra não tem assento no Comitê Gestor, portanto pouco poderia fazer para influenciar qualquer implantação de redes.
A respeito dos assentamentos Castanheira e Sereno, demonstrou falta de conhecimento sobre a realidade das famílias mesmo estando à frente de um órgão que existe para dar isso. Prometeu enviar equipes técnicas para visitar as áreas, mas não disse quando.
Para este ano, o Incra prometeu priorizar os assentamentos em situação de risco. Difícil é saber qual já que a maioria enfrenta situação de abandono. (E. S.)
No turvo
Mais de 80 assentamentos estão sem energia
Em contato com o vice-coordenador da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetagri), Sebastião Alves de Souza, o Tião Branco, este informou que tem conhecimento que há mais de 80 Projetos de Assentamento sem energia elétrica.
Informou ainda que já foi votado no Comitê Gestor para que fossem implantadas as redes de energia, mas até então não foram implantados os linhões.
Reconheceu que no caso destes dois assentamentos, que ficam em região de fronteira com Eldorado e Curionópolis, fica mais difícil os investimentos, tendo em vista que mesmo sendo do município de Marabá, os colonos têm os registros eleitorais nos dois municípios.
“Infelizmente os governantes não querem investir onde as pessoas não votam, mas nós não precisamos abandonar o povo e devemos fazer uma visita a esta comunidade”, conclui. (E. S.)
Escolar
Estudantes sofrem com falta de transporte
Entre outras queixas dos moradores do Assentamento Castanheira está a falta de transporte escolar rural para atender às crianças.
De acordo com o colono Edivaldo Silva, que tem uma filha de nove anos estudando na escola, todos os dias vai levar e buscar a criança.
“Aqui não temos nada, esperamos que um dia as coisas melhorem”, comenta, dizendo que mantém viva a esperança de dias melhores.
Até bem pouco tempo as crianças estudavam num casebre que se assemelhava a uma casa de pombos, sob a sombra de mangueiras e que faltava um empurrão pra cair.
Segundo o agricultor Lourival Sousa Silva, o Irmão Lourival, a comunidade cobra a construção de uma escola descente para atender aos alunos.
“Por enquanto, a escola funciona numa casa de colono, quem sabe um dia alguém olhe por nós e construa uma escola para as nossas crianças”, aposta.
Diante de tantas precariedades os colonos se articulam para reivindicar aos diversos órgãos as melhorias necessárias para esta comunidade. “Infelizmente no Brasil é assim: o povo só é beneficiado quando faz manifestações e acho que aqui não vai ser diferente”, comentou.
A Secretaria Municipal de Educação (Semed), através de sua assessoria, informou que não tem conhecimento da demanda dessa comunidade, porém ficou de verificar a reivindicação da comunidade para tentar resolver o problema. (E. S.)
Edinaldo Sousa
De Marabá
O que dizer de uma comunidade que há mais de duas décadas vive isolada do mundo durante a metade do ano? Pois é dessa maneira que cerca de 200 colonos dos assentamentos Castanheira e Sereno, zona rural de Marabá, se sentem. Ali vivem 144 famílias.
Energia elétrica é artigo de luxo, apesar das propagandas institucionais afirmarem que todos os trabalhadores rurais do Brasil usufruem do serviço.
Quem tem um pouco de recurso compra placa solar para ter o mínimo de energia. Os menos aquinhoados são obrigados a iluminar as casas com candeeiros, lamparina, ou velas. É, seguramente, uma parte do Brasil que está esquecida.
A estrada vicinal, tão essencial aos colonos, é precária, porém situação não menos delicada são as diversas pontes (pinguelas) quase instransponíveis. Em visita recente a este assentamento o Opinião sentiu de perto o drama dos colonos percorrendo mais de 200 km.
Em 20 anos a espera do progresso, os recursos que a Superintendência Regional do Incra em Marabá administra ainda não chegaram para os colonos desses assentamentos, que perto da cidade mas isolados, esquecidos.
Entre os moradores, Lourival Sousa Silva, o Irmão Lourival, de 57 anos, que há pelo menos 20 anos mora no assentamento Castanheira, encabeça um movimento que cobra benfeitorias para a comunidade.
“Se tivesse energia elétrica, a nossa vida seria melhor, mas até hoje já vi alguns carros da Celpa medindo para colocar os postes, mas até agora tudo não passou de promessas”, desabafa.
“Tudo fica mais difícil sem energia, não temos conforto, não podemos guardar nada, tudo tem de ser salgado, senão perde”, lamenta o colono, acrescentando que por várias vezes pediu ajuda, mas ainda não conseguiu apoio.
A dona de casa Olga Ribeiro enfrenta dificuldades para conservar os alimentos. “Sem geladeira tudo fica mais difícil dentro de uma casa”, observa, dizendo que tem de fazer verdadeiro malabarismo na casa.
O marido dela, Wiliam Chaves, disse que a casa onde moram, no assentamento Sereno, está distante cerca de cinco quilômetros da rede de energia que atende ao assentamento Moça Bonita, em Eldorado do Carajás.
“Estou a menos de cinco quilômetros da rede de energia elétrica, já fiz várias tentativas para conseguir energia, mas até então não consegui”, lamenta.
Para ele, porém, outro problema não menos grave é a acessibilidade. Para chegar a Marabá, no período de inverno, tem de contornar pelo menos 50 quilômetros para ter acesso a Eldorado, ou Curionópolis e somente depois apanhar a PA-275 e BR-155.
Toda essa manobra se dá porque a estrada vicinal que corta os PAs Sereno e Castanheira, durante o inverno, fica parcialmente intrafegável devido à água pluvial e das cheias de córregos.
Ele conta que praticamente todas as pontes daquela região são feitas em mutirão. “Aqui nós somos os responsáveis pelas construções das pontes”, comenta, se referindo que uma delas transpõe o igarapé Gengibre. “Todos os anos temos de fazer a manutenção e recuperar essas pontes”, acrescenta.
“Mágica” – “Pra viver aqui tem que fazer mágica, pois não é fácil, estou há dez anos pelejando e não melhora nada”, comentou o agricultor Kleverson da Costa.
Pilotando uma moto, que aliás é o principal meio de transporte nas estradas que mais parecem trilhas, ele disse que a produção do leite do assentamento é toda consumida entre as famílias porque não existe estrada para escoar a produção.
“Ninguém quer vir aqui apanhar o leite, pois não tem estrada”, comenta informando que praticamente todos os produtores daquela região fazem queijo e vendem nos centros urbanos.
O mesmo acontece com a lavoura, que serve apenas para subsistência.
Na área onde mora, vive praticamente ilhado, pois os carros de pequeno porte não passam nas pontes (pinguelas).
O colono lembra que, quando havia madeira naquela região, os madeireiros faziam os arrastões que permitiam a trafegabilidade. “Agora que acabaram com toda a madeira estamos abandonados e esquecidos”, lamenta.
As histórias de abandono se repetem em boa parte dos 500 assentamentos no sul e sudeste do Pará.
O jornal manteve contato telefônico e também enviou e-mail para a Assessoria de Comunicação da Celpa, em Belém, que ficou de enviar uma resposta sobre as queixas dos colonos, mas até o fechamento da edição nenhuma resposta foi enviada.
Inoperância
Superintendente admite precariedade em PAs
A superintendência regional do Incra em Marabá, Rosinete Lima, que administra um orçamento quase igual ao do município de Marabá, admite que a Reforma Agrária tão defendida pelos movimentos não deu aos agricultores uma vida mais digna no campo.
Rose reconhece que a situação é de abandono nesse e em outros assentamentos. Prometeu verificar a situação dessas comunidades para tentar alocar recurso na Programação Orçamentária (PO) para o próximo ano.
Contou que recentemente visitou assentamentos nos municípios de Santa Maria das Barreiras e Santana do Araguaia, no sul do Pará, onde ouviu queixas dos colonos que cobram o direito a estrada e energia elétrica.
Sobre a falta de energia nos assentamentos, a superintendente admitiu que o programa “Luz para Todos”, programa do Governo Federal está atrasado no Pará. Disse também que o Incra não tem assento no Comitê Gestor, portanto pouco poderia fazer para influenciar qualquer implantação de redes.
A respeito dos assentamentos Castanheira e Sereno, demonstrou falta de conhecimento sobre a realidade das famílias mesmo estando à frente de um órgão que existe para dar isso. Prometeu enviar equipes técnicas para visitar as áreas, mas não disse quando.
Para este ano, o Incra prometeu priorizar os assentamentos em situação de risco. Difícil é saber qual já que a maioria enfrenta situação de abandono. (E. S.)
No turvo
Mais de 80 assentamentos estão sem energia
Em contato com o vice-coordenador da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetagri), Sebastião Alves de Souza, o Tião Branco, este informou que tem conhecimento que há mais de 80 Projetos de Assentamento sem energia elétrica.
Informou ainda que já foi votado no Comitê Gestor para que fossem implantadas as redes de energia, mas até então não foram implantados os linhões.
Reconheceu que no caso destes dois assentamentos, que ficam em região de fronteira com Eldorado e Curionópolis, fica mais difícil os investimentos, tendo em vista que mesmo sendo do município de Marabá, os colonos têm os registros eleitorais nos dois municípios.
“Infelizmente os governantes não querem investir onde as pessoas não votam, mas nós não precisamos abandonar o povo e devemos fazer uma visita a esta comunidade”, conclui. (E. S.)
Escolar
Estudantes sofrem com falta de transporte
Entre outras queixas dos moradores do Assentamento Castanheira está a falta de transporte escolar rural para atender às crianças.
De acordo com o colono Edivaldo Silva, que tem uma filha de nove anos estudando na escola, todos os dias vai levar e buscar a criança.
“Aqui não temos nada, esperamos que um dia as coisas melhorem”, comenta, dizendo que mantém viva a esperança de dias melhores.
Até bem pouco tempo as crianças estudavam num casebre que se assemelhava a uma casa de pombos, sob a sombra de mangueiras e que faltava um empurrão pra cair.
Segundo o agricultor Lourival Sousa Silva, o Irmão Lourival, a comunidade cobra a construção de uma escola descente para atender aos alunos.
“Por enquanto, a escola funciona numa casa de colono, quem sabe um dia alguém olhe por nós e construa uma escola para as nossas crianças”, aposta.
Diante de tantas precariedades os colonos se articulam para reivindicar aos diversos órgãos as melhorias necessárias para esta comunidade. “Infelizmente no Brasil é assim: o povo só é beneficiado quando faz manifestações e acho que aqui não vai ser diferente”, comentou.
A Secretaria Municipal de Educação (Semed), através de sua assessoria, informou que não tem conhecimento da demanda dessa comunidade, porém ficou de verificar a reivindicação da comunidade para tentar resolver o problema. (E. S.)
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