segunda-feira, 28 de abril de 2014
Mandante do assassinato do sindicalista Dezinho julgado
Fazendeiro e madeireiro Décio José Barroso Nunes, conhecido como Delsão, é acusado de ser o principal mandante do crime. O julgamento acontece 14 anos após o crime.
O caso já foi analisado pela OEA, será acompanhado por organizações nacionais de direitos humanos e pela Coordenação do Programa Nacional de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos da Presidência da República
O fazendeiro e madeireiro Décio José Barroso Nunes, Delsão, acusado de ser o principal mandante do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, vai a júri popular nesta terça-feira, dia 29/04, em Belém, no Pará. Dezinho foi morto por pistoleiros em 2000. Na época, ele presidia o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará.
Em dezembro de 2010, o governo brasileiro assinou um acordo com a Organização dos Estados Americanos (OEA) assumindo sua responsabilidade pela morte e se comprometendo a implantar diversas políticas públicas Relacionadas a luta pela reforma agrária.
O julgamento contará com a presença de observadores das organizações nacionais de Direitos Humanos Justiça Global e Terra de Direitos, além de representantes da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Advogados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SDDH) farão a assistência de acusação, nesse que é um dos julgamentos mais importantes na luta pela responsabilização de latifundiários que violam direitos humanos no Pará.
O pistoleiro acusado de matar Dezinho, Welington de Jesus Silva, foi julgado e condenado a 27 anos de prisão, mas está foragido. Logo após o assassinato, Décio José foi preso, mas foi colocado em liberdade dias depois por decisão de um desembargador do Tribunal de Justiça de Belém. O madeireiro possui inúmeras serrarias e fornos de fabricação de carvão, quase todas em terras públicas , no entanto, o Governo não adotou nenhuma medida contra essa ocupação ilegal.
Após a morte, a viúva de Dezinho, Maria Joel Dias da Costa, Dona Joelma, assumiu a direção do sindicato no lugar do marido, apoiando a luta de famílias sem terra pela desapropriação dos latifúndios improdutivos em Rondon do Pará, e por isso, também passou a ser ameaçada.
Há anos está inserida do Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos e vive sob escolta policial. Dona Joelma tornou-se uma grande lutadora de direitos humanos, tendo recebido diversos prêmios nacionais e internacionais.
Desde 2005 ela integra o grupo de Defensores de Direitos Humanos da organização internacional Front Line e em 2012 esteve em Bruxelas na Bélgica para prestar um depoimento junta à Delegação da União Européia e Parlamento Europeu sobre a violência contra trabalhadores e defensores de direitos humanos no Pará.
Conflitos na terra
Apenas 8% dos casos de assassinatos em conflitos agrários são julgados no Brasil. Só no Pará, desde 1996, mais de 200 pessoas foram assassinadas. E quase mil pessoas são ameaçadas de morte. Veja um quadro sobre os casos que foram a julgamento e a situação atual:
Júri Mandantes Situação atual
Caso João Canuto Oito mandantes condenados Todos foragidos
Caso Expedito Ribeiro Um (1) mandante condenado Perdoado judicialmente (indulto)
Caso Fazendo Ubá Mandante condenado Prisão domiciliar
Caso Massacre de Eldorado dos Carajás Dois (2) mandantes condenados Cumprindo pena
Caso Brasilia Um (1) mandante absolvido
Caso Dezinho Um (1) mandante absolvido
Caso Zé Cláudio e Maria Um (1) mandante absolvido
Caso Irmã Dorothy Dois (2) mandantes condenados Um cumpre pena e outro aguarda julgamento de recurso
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Hospital Regional inicia vacinação
Começou nesta quarta-feira (23) e prossegue até o final do mês de maio a oitava campanha de vacinação interna do Hospital Regional Público do Sudeste Dr. Geraldo Veloso (HRSP), em Marabá. O objetivo é imunizar 500 colaboradores da unidade hospitalar e também alguns pacientes que precisarem de vacina e estiverem em fase de reabilitação.
Este ano, o foco da campanha de imunização, que segue o calendário de vacinação do Ministério da Saúde, é a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), popularmente conhecida como Gripe A-H1N1, para controle da epidemia, já que houve casos confirmados na região sudeste do Pará, neste mês de abril.
Segundo a enfermeira Nayara Brasil Lemos Pena, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), do Hospital Regional, as vacinações ocorrerão de manhã, de tarde e de noite, em todos os setores do HRSP.
Ela explica a importância dessa medida: “Serve para que a gente não tenha surtos de SRAG, popularmente conhecida como H1N1, aqui dentro do hospital e controle também qualquer caso que possa acontecer de paciente que seja internado com quadro suspeito de H1N1. Nós vamos controla-lo assim: os funcionários vão estar vacinados e esse paciente vai ser mantido em precaução de aerossol durante o período crítico da doença”.
Durante esta campanha, também estão sendo aplicadas outras vacinas, que são fornecidas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), como tétano, febre amarela e hepatite B, dependendo da necessidade de cada pessoa.
Em todo o País, a campanha destinada a imunizar a população se iniciou na terça-feira (22) e se encerra em 9 de maio. Especificamente no município de Marabá, existem 18 locais de vacinação, na zona rural e no perímetro urbano. O Dia D da Vacina será no próximo sábado (26).
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Servidores protestam contra redução de insalubridade
Na sessão desta terça-feira, 22, na Câmara Municipal de Marabá, um grupo de aproximadamente 300 servidores municipais da Secretaria Municipal de Saúde ocupou o Plenário da Câmara Municipal de Marabá para pedir aos vereadores para não votarem em um Projeto de Lei do Executivo Municipal, que tenta diminuir o adicional de insalubridade de 50% para cerca de 2 mil trabalhadores em hospitais e centros de saúde.
Demerval Bento da Silva, presidente do Sintesp (Sindicato dos Trabalhadores na Saúde Pública do Pará) Subsede Marabá, disse que chegou à Câmara o projeto de Lei 109/2014, pedindo redução do percentual de insalubridade. Uma parte dos servidores recebe 40% de insalubridade, outra 20% e a terceira 10%.
Com a proposta do Executivo, passariam a receber apenas a metade de cada um desses valores.
Bento explicou que há um laudo realizado pelo Ministério do Trabalho em 1993, o qual está em vigor e estabelece os percentuais pagos pelo município até hoje, que resguarda os trabalhadores das secretarias de Saúde e Obras.
Ele observou que para o gestor atual mudar esse percentual, é preciso que se faça um novo laudo com médico do Trabalho, engenheiro do Trabalho, para determinar, em cada setor da saúde, quais os graus de insalubridade. “A mesa de sindicatos tentou negociar com o governo para contratar uma empresa para fazer a avaliação, mas isso não prosperou”, destacou.
Segundo Demerval, o sindicato convocou os trabalhadores porque eles não concordam com o projeto, devendo afetar os vencimentos de cerca de 2 mil servidores da saúde de Marabá. “Estamos aqui para demonstrar para os vereadores os riscos que os trabalhadores estão correndo, porque desenvolvem suas funções sem EPI (Equipamento de Proteção Individual) nem coletivo e não possuem uniformes”, criticou.
Na avaliação do presidente do Sintesp, o projeto deve ser devolvido ao Executivo e debatido com os servidores. “É preciso primeiro discutir com o sindicato. Não podemos perder o pouco que temos”, disse Demerval.
Representante do Sindicato dos Enfermeiros, Flávia Renata Varela, lembrou que os enfermeiros e técnicos é que estão na ponta, servindo de um elo entre a comunidade e o acesso à saúde. “Só vemos a gestão querendo cortar salário. Não é simplesmente encaminhar um documento pra Câmara sem um debate. A cada dia se fala que vão valorizar o profissional, mas só vemos o contrário. Queremos uma avaliação correta, um laudo técnico para esse corte”, sustentou ela.
A vereadora Vanda Américo explicou que o Projeto estava na Câmara, mas não foi apresentado ainda aos vereadores. A retirada dele depende do Executivo, que deve pedir de volta. “O governo precisa ser pressionado pela categoria para poder pedir de volta, senão isso não ocorre”, disse Vanda.
A presidente da Casa, Júlia Rosa, confirmou que esse é o trâmite normal e sugeriu que a direção do Sintesp se reunisse com a Comissão de Saúde da Câmara para formar uma proposta de pauta para a Câmara negociar junto ao prefeito o assunto.
O vereador Ilker Moraes disse que não votará favorável a um projeto apenas pela proposição do governo, mas pelo bom senso. “Não basta o projeto chegar à CMM e não saber o que está escrito”, disse.
A vereadora Antônia Carvalho, da base aliada do governo, advertiu que não votará favorável no referido projeto da insalubridade se ele entrar em pauta. “A gente não tem como apoiar o prefeito diante da retirada de direitos adquiridos por trabalhadores. Isso apenas vai desgastar a imagem do governo e da Câmara. Não houve clareza suficiente por parte da equipe do prefeito e esse assunto precisa ser debatido e aprofundado. É preciso estudar de forma ampla como reduzir gastos com a saúde”, disse Toinha.
Ronaldo Yara, presidente da Comissão de Justiça e Legislação da Câmara, lamentou que esse projeto ainda não tenha passado por sua comissão e garantiu que ele não será analisado sem antes os trabalhadores terem sido ouvidos. “Não adianta mexer em salário de servidores, porque não consegue resolver nada. Vamos discutir ainda a legalidade e a moralidade desse projeto com o Executivo”, disse.
O vereador Alécio Stringari, também da base aliada, criticou o governo municipal, que em sua concepção teve tempo para negociação com os servidores e foi negligente. “Isso é lamentável e ficamos tristes porque o governo sabe que vai ter de conversar, negociar. Vocês não vão deixar de ter essa oportunidade”, garantiu.
Na avaliação da vereadora Vanda Américo, enquanto os servidores lutam por outras conquistas, estão perdendo o que já tinham conquistado. Na visão dela, jamais deveria enviar à Câmara um projeto dessa forma. “É hora de a categoria ficar atenta. Tem insalubridade em vários serviços públicos e servidores de diversos locais sofrem esse efeito. Não podemos retroceder em ganhos e garantias. Quem faz a coisa acontecer é o povo. Vereador não pode se deixar cooptar por outro. O dinheiro que vai tirar do bolso do trabalhador, não vai melhorar o serviço para a comunidade”.
O vereador Pedro Correa revelou que o referido Projeto de Lei deu entrada no dia 28 de março na Câmara, mas nem sindicato nem conselho de saúde tinha conhecimento do mesmo, tampouco a mesa de negociação permanente. “Prefeito pode ser capacitado, secretário pode ser inteligente, mas sem o servidor eles não vão chegar a lugar algum”.
Na avaliação de Correa, houve alguns desmandos e perdas para os servidores nos últimos 16 meses, como redução do vale alimentação do servidor contratado; redução de gratificação de quem trabalha em comissões; tentativa de demissão de todos os agentes de endemias do município, sem justa causa.
“O governo está inseguro, não sabe a forma de fazer melhorias estruturais que Marabá precisa. Por isso vem para cima do servidor, e não se pode aceitar isso”, disse Pedro Corrêa, sugerindo uma contraofensiva, exigindo prestação de assistência à saúde do servidor, fora a complementar, o que é garantido por lei.
Por sugestão dos vereadores, ainda na manhã de terça-feira, 22 de abril, o secretário municipal de Saúde recebeu representantes do Sintesp e de trabalhadores na saúde para discutir o assunto. Em seguida, o grupo seguirá para o Gabinete do Prefeito João Salame para ampliar a discussão.
O secretário de Saúde, Nagib Mutran Neto, informou que o Projeto de Lei foi enviado pela Progem (Procuradoria Geral do Município) para a Câmara, mas que ela busca equiparar a lei municipal com uma federal, mais recente, a qual determina que a gratificação por insalubridade deve ser nos percentuais de 5%, 10% e 20%.
Nagib considera que muitos servidores que ganhavam um percentual mais baixo, poderão ser beneficiados com valores maiores. “O que vai determinar qual o percentual de cada um é o laudo que deverá ser feito no período de seis meses. Quero tranquilizar a categoria, dizendo que só haverá mudança no contracheque depois que o laudo for feito, não necessariamente com a aprovação da lei”, sustentou.
Colonos querem matricular alunos na zona urbana
Famílias retiradas da Vila dos Maranhenses por decisão judicial, em abril do ano passado, querem vaga em escolas da cidade.
Câmara recebe pedido de trabalhadores rurais para matricular filhos em escolas urbanas.
Um grupo de cerca de 80 trabalhadores rurais que residia na ocupação da Vila dos Maranhenses, próximo ao Rio Itacaiúnas, a 30 km do Centro de Marabá, veio à Câmara Municipal na sessão desta terça-feira, 22, para pedir aos vereadores que intercedessem junto à Semed (Secretaria Municipal de Educação) no sentido de conseguir matricular seus filhos nas escolas da zona rural, uma vez que as famílias foram despejadas há cerca de um mês de suas casas na Vila dos Maranhenses.
Paulo Silva, representante dos moradores da referida vila, explicou que a reintegração de posse foi determinada pela Justiça, mas para eles ocorreu como um massacre, porque todas as casas foram destruídas, inclusive a escola, que atendia 70 crianças, as quais estão fora da sala de aula neste momento.
Com faixas e cartazes, eles pediam que a Secretaria de Educação aja com sensibilidade e consiga vaga para seus filhos. “Destruíram a escola dentro da Vila Maranhense construída com dinheiro da Semed, quer dizer, do povo. Mais de 70 crianças estão a deus-dará. Somos 135 famílias de sem teto, sem ter o que comer e sem ter aonde dormir. Por favor, nos ajude”, disse Paulo Silva.
O vereador Ilker Moraes se colocou à disposição para contribuir com moradores da Vila dos Maranhenses. Ele disse que por outro lado, o advogado dos trabalhadores precisa provar que a posse da área é ilegal. “Sei que houve prejuízo absurdo, com destruição das casas de vocês. Precisamos fomentar esse debate junto com a assessoria jurídica de vocês, mas temos de garantir escola para cada uma dessas crianças”, disse.
A presidente da Câmara, Júlia Rosa, reconheceu que a situação é incômoda para as famílias e disse que a Câmara iria dialogar com o secretário de Educação, Pedro Souza, para resolver o problema de falta de sala de aula para as crianças.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Juiz nega prisão contra policiais acusados de estupro
O rumoroso, ou suposto estupro, do qual uma adolescente de 17 anos se diz vítima e que envolve três policiais civis do Pará ganhou mais um capítulo: o juiz titular da 4ª Vara Penal de Marabá, Emerson Benjamin Pereira Carvalho negou o pedido de prisão preventiva contra os policiais.
A decisão do magistrado foi tornada pública no último dia 11 de abril deste ano, contudo, somente nesta segunda-feira a reportagem teve acesso a parte do documento.
As promotoras Alexandra Muniz Mardegan e Cristina Magela Silva Corrêa protocolaram o pedido de prisão preventiva contra os policiais no dia 4 de abril, após a imprensa tornar público o suposto estupro que teria ocorrido no dia 11 de janeiro deste ano, no banheiro da Delegacia da Cidade Nova e em hotel do bairro Cidade Nova.
Em linhas gerais, o magistrado entendeu que não havia elementos suficientes para decretar a prisão dos policiais, Marcelo Serra Rocha, Jorge Tadeu do Espírito Santo Guilhon e Rodrigo Paiva de Barros, estes dois últimos escrivães.
Para o magistrado, não seria possível mandar prender os três com base em “meras conjecturas” e determinou que o processo retornasse ao Ministério Público para que fossem feitas novas diligências e desta feita, apresentar fatos novos que justifiquem uma decretação de prisão preventiva.
Depoimento – Sem dúvida alguma, o depoimento do cunhado da adolescente, João Batista Pereira de Sousa, contribuiu para que o magistrado não decretasse as prisões dos acusados.
O vídeo foi gravado pelo advogado Arnaldo Ramos de Barros Júnior e numa conversa de aproximadamente 30 minutos, João Batista relata que em momento algum a adolescente foi violentada, sobretudo dentro do banheiro da delegacia e que a jovem mentiu para a delegada
Dinilda Ferreira da Costa em Redenção, onde fez a denúncia.
Ele descreve passo a passo o que aconteceu na madrugada do dia 11 de janeiro. O irmão dele, Nelson Pereira de Sousa estava tomando algumas cervejas com a então esposa, a adolescente de 17 anos e na madrugada, procurou um taxista para levar o casal até a Folha 14, Nova Marabá.
Por esta corrida, o taxista cobrou R$ 20,00 da Folha 16, Nova Marabá até a Folha 14, Nova Marabá, contudo, quando chegaram no destino final o Nelson de Sousa só tinha R$ 15,00 e que por conta disto houve uma confusão, seguida de uma lesão em uma das mãos do taxista.
Por conta desta briga, conta João Batista,
oito taxistas chegaram na Folha 14 e começaram a bater no irmão dele, a Polícia Militar foi acionada e prendeu o irmão dele. E por conta da agressão teve de ser medicado para posteriormente ser preso na Seccional Urbana da Cidade Nova.
A adolescente foi apreendida e também apresentada no plantão do delegado Reinaldo Marques Júnior. O João Batista disse que ficou das 6 horas da madrugada até por volta das 13 horas e durante este período, a ex-cunhada nunca ficou sozinha com nenhum policial.
“A delegacia estava cheia de gente e se ela estivesse entrado junto com qualquer policial dentro do banheiro teria visto”, relata João Batista. Ao final do procedimento, a jovem lhe foi entregue, uma vez que é menor de idade. No dia seguinte, uma irmã da adolescente chegou em Marabá e a levou para o município de Redenção, no sul do Pará.
“Ela está inventando isto para prejudicar os policiais, pois em momento algum, nenhum deles foi até o banheiro com ela”, garante. Em seguida ele faz um apanhado geral da vida da adolescente e diz que o irmão dele, se iludiu e acabou sendo envolvido pela jovem, que costumava dormir o dia inteiro e à noite costumava farrear.
“Avisava pra ele do comportamento dela, mas ele não queria ouvir”, relata contando ainda que alguns objetos da casa dela sumiram sendo que a jovem, provavelmente estava por trás de tais sumiços.
Laudo – Outra peça não menos importante neste processo, diz respeito ao laudo de conjunção carnal, assinado pelos médicos: André Ricardo Viana Mourão e Edson Portela Silva, nomeados pela delegada Viviane Carvalho Flores.
O exame foi feito no dia 13 de janeiro deste ano, sendo que a primeira pergunta atesta que a paciente, no caso a adolescente não era virgem, sendo que não havia sinais de desvirginamento recente, bem como não havia sinais de vestígios de conjunção carnal recentemente, no que pode favorecer os acusados.
Por outro, lado o relatório do GPS da viatura usada naquele dia, pelo investigador Marcelo Rocha, revela que o veiculo permaneceu estacionado durante 18 minutos em frente a um hotel, no bairro Cidade Nova, onde a adolescente teria dito que fora estuprada.
Vale lembrar, porém que é neste hotel que o investigador se hospeda quando está de serviço em Marabá, pois mora oficialmente no Maranhão.
Todos os acusados negam o suposto estupro e se dizem vítimas da imaginação fértil da adolescente e acreditam que a jovem pode estar sendo orientada para tentar lhes prejudicar.
“Não tem cabimento algum o que ela (adolescente) falou, pois todos sabem que a delegacia é bastante movimentada, então como pode alguém ser estuprada e não gritar, ou pedir socorro é um absurdo isso”, relata Jorge Guilhon.
Acusados tentaram álibi perfeito
A prisão de dois acusados de ter matado o advogado George Antonio Machado, assassinado no último dia 3 de abril, num espetinho da Folha 10, Nova Marabá, pode revelar mais uma faceta da pistolagem no município: a dissimulação e desfaçatez dos acusados.
Neste caso, dois acusados foram presos acusados diretamente deste crime. O autônomo Wagner Vieira Matos, 24 anos e o funcionário publico municipal Rodrigo Carvalho da Silva 21, presos entre os dias 8 e 9 de abril.
Esta prisão aconteceu se comparar outros casos de homicídios no Pará, em tempo recorde, pois a cada dez homicídios, apenas um caso é resolvido.
Outro detalhe não menos importante diz respeito ao chamado clamor popular, pois quando a população se mobiliza para cobrar apuração célere, o Estado responde à altura.
No caso da morte do advogado George Antonio Machado, que atualmente era dono de uma cozinha industrial em Parauapebas, houve uma grande mobilização nacional e desta feita uma verdadeira força tarefa foi formada para investigar o crime.
Em princípio, a Polícia trabalha com a hipótese de a vítima ter sido morta em execução, embora os acusados tenham se esforçado para simular um assalto, tanto que anunciaram o assalto e em seguida partiram para cima da vítima e efetuaram vários tiros. Três projeteis acertaram a vítima, um no pescoço, tórax e face.
No dia seguinte ao crime, um dos acusados, o Wagner Mota, assistia ao telejornal local com a jovem esposa dele, uma adolescente de 17 anos e quando ouviu a notícia fez o seguinte comentário: “Viu nega mataram um advogado”.
Ele não contava, porém que pelo menos cinco testemunhas o descreveram à equipe do delegado Dauriedson Silva Bentes, da Divisão de Homicídios de Belém, que desembarcou em Marabá com a missão de investigar o crime.
Este acusado, em 2011, teria sido preso acusado de tráfico de drogas e teria contratado o advogado George Machado para defendê-lo e teria pagado R$ 7 mil por este serviço, contudo não teria ficado contente com a atuação do causídico e permaneceu preso até o final de 2013 e teria prometido matar o advogado.
Entre as cinco testemunhas, há duas que são essenciais e que contaram vários detalhes de como os dois acusados chegaram no “espetinho” e executaram o crime.
Inclusive, teria sido o acusado Rodrigo da Silva teria sido o autor dos disparos e não o Wagner como foi mencionado anteriormente na imprensa, embora este acusado tivesse a suporta querela com o advogado.
Quem confirma esta nova versão é o delegado Dauridson Bentes, que embasado no depoimento de uma testemunha chave que confirmou: os dois pistoleiros simularam um assalto e sem seguida atiraram no advogado e não levaram absolutamente nada das outras vítimas que estavam no “espetinho”.
Esta testemunha, segundo o delegado, já integra o Programa de Proteção à Testemunha e já foi transferida do Estado do Pará.
Para o delegado, Dauriedson Bentes, a investigação segue no sentido de esclarecer, se de fato, o advogado foi vítima de mais um crime, banal, ou de pistolagem.
Os dois acusados, a quando da prisão deles, se mantiveram em silêncio. Entre as poucas palavras balbuciadas, negaram o crime.
Contudo, a arma supostamente usada por eles, um revolver calibre 38 foi apreendida e deve ser periciada a fim de ser feita a micro comparação balística com os projéteis retirados do corpo do delegado.
Outros indícios apontam para os acusados, como o fato de o artefato ter sido entregue para o armeiro Raimundo Mariano, o Almirante, para que este fizesse algumas modificações e desta forma os acusados poderiam criar um álibi perfeito.
Por enquanto, eles estão presos numa cela do Centro de Recuperação de Marabá (CRM) e aguardam pronunciamento da Justiça, já que a prisão temporária de ambos foi decretada.
NIP e GPE prendem matadores
| Wagner Mota e Rodrigo Silva, acusados de matar advogado |
| Arma supostamente usada no crime foi encontrada com armeiro |
Policiais do Núcleo de Inteligência da Polícia (NIP) e Grupo de Pronto Emprego (GPE), prenderam dois acusados de ter matado a tiros o advogado George Antonio Machado e outros dois acusados de participação indireta. George Machado foi executado com três tiros quando estava em um popular “espetinho” da Folha 10, Nova Marabá.
A vítima foi morta em circunstâncias, que até o momento a Polícia ainda não esclareceu muito bem, contudo, até ontem quatro pessoas foram presas acusadas de participação direta e indireta.
Figuram como matadores, os acusados: Wagner Vieira Matos, 24 anos e Rodrigo Carvalho da Silva, 21 anos, enquanto o armeiro Raimundo Mariano, o “Almirante” e a jovem Paloma Morais Farias, foram presos por posse ilegal de armas.
Os dois primeiros acusados foram presos na Folha 6, Nova Marabá, nas respectivas casas deles, enquanto a jovem e o armeiro foram presos na Folha 16, também na Nova Marabá.
Teria sido na casa do armeiro, que os policiais localizaram um revólver calibre 38 que teria sido usada para matar o advogado e que teria sido deixada com o armeiro para que ele fizesse algumas modificações, entre elas, a troca de algumas peças e cromar a arma.
Esta arma, segundo o delegado Dauriedson Bentes da Silva, da Divisão de Homicídios de Belém e responsável pela investigação, deve ser periciada e os projéteis retirados do corpo do advogado devem ser comparados para verificar se, de fato, foi esta arma que disparou na vítima.
As prisões temporárias contra os acusados foram decretadas ainda no início da semana pela juíza Elaine Oliveira Neves, diretora do Fórum de Marabá, por entender que havia indícios fortes que apontam para a autoria delituosa.
Em verdade, o primeiro a ser preso, ainda na segunda-feira (7) foi o acusado Rodrigo Carvalho da Silva, capturado na casa dele, na Folha 6, Nova Marabá.
Para a Polícia, teria sido este acusado, que na verdade é instrutor de um centro educacional infantil de Marabá, teria pilotado a moto para que o acusado Wagner Matos executasse o advogado.
Inclusive, a moto, uma Fazer vinho, seminova, placa OTS-1491 teria sido identificada no palco do crime, já que a Folha 10 é próximo à Folha 6, onde moram. A quando da execução do crime, populares anotaram parte da placa da moto, que apontou em outra moto de São Geraldo do Araguaia.
Contudo, segundo o delegado Dauridson Bentes, tão logo a equipe chegou a Marabá, se verificou que não seria esta moto, e por fim, levantaram a verdadeira placa, bem como traçaram um perfil dos matadores.
De posse destas primeiras informações, ainda de acordo com o policial, a equipe continuou as buscas, a ponto de vararem a madrugada de sábado, até que no final de semana já tinham praticamente os nomes dos suspeitos, com os respectivos endereços.
Justiça agiu rápido e permitiu prisão
De posse desta juntada de informações, no final de semana, os mandados de prisões temporárias, busca e apreensão foram protocolados na Comarca de Marabá, à frente ajuíza plantonista, Elaine Oliveira Neves.
Esta magistrada, por sua vez, não titubeou em conceder tais mandados o que facilitou as respectivas prisões dos acusados que caíram como se num efeito dominó.
Instados a se defenderem, os acusados optaram pelo silêncio e entre as poucas palavras balbuciadas por eles, trataram de negar o crime e que não tinham nada contra o advogado.
A negativa dos acusados, contudo, para o delegado Dauridson Bentes, pouco tem importância, tendo em vista que há fortes indícios de participação deles na empreitada criminosa.
“Há pelo menos quatro depoimentos de pessoas que os identificaram”, acrescenta o policial reforçando ainda que no dia seguinte ao crime, o acusado Wagner Matos levou o revólver calibre 38 para ser alterado.
Outro indício que a Polícia se apegar para incriminar o acusado seria uma suposta quebra de contrato, entre ele e o advogado, uma execução e até mesmo latrocínio, já que um telefone celular da vítima teria sido roubado pelos acusados.
No caso da quebra de contrato, em 2011, o advogado George Machado teria defendido o acusado Wagner Matos num processo de tráfico de drogas e teria recebido R$ 7 mil para fazer tal defesa.
Ocorre que o acusado, Wagner Matos teria ficado insatisfeito com a atuação do causídico e amargou cadeia até o final do ano passado e teria jurado vingança.
Contudo há vários amigos advogados da vítima que acreditam tratar se de uma execução, entre eles, Haroldo Gaia, que aposta na continuidade da investigação para finalmente o caso ser totalmente esclarecido.
O inquérito policial deve ser concluído em trinta dias, prorrogáveis por mais trinta dias e até lá, segundo o delegado Dauriedson Bentes, todas as dúvidas em torno do caso devem ser dirimidas.
Por enquanto o policial se contenta em dar uma pronta resposta ao clamor popular, uma vez que a morte do advogado George Machado ganhou repercussão mundial e projetou negativamente o nome do Pará, como terra sem lei.
“Não é bem assim a nossa Polícia paraense está aparelhada para realizar as mais complexas investigações e o nosso diretor, Claudio Galeno não mediu esforços para esclarecer este crime”, comentou.
Para o delegado Ricardo do Rosário, o caso está parcialmente fechado, mas restam algumas outras diligências e perícias que vão contribuir para o completo esclarecimento deste homicídio.
“Desde o começo não medimos esforços para apoiar a investigação e acompanhar este caso e estamos prontos eventuais casos como estes”, salienta.
Os dois acusados de matar o advogado ficaram de ser ouvidos formalmente ainda na madrugada desta quinta-feira (10) e depois devem ser transferidos para uma cela do Centro de Recuperação de Marabá (CRM), enquanto o armeiro, enquanto o armeiro “Almirante” e a jovem Paloma Farias ficaram de ser soltos, tão logo pagassem fiança, já que foram indiciados por posse ilegal de armas. (E.S.)
Mulher teria tentado vender revólver
Entre as descobertas feitas pela Polícia, consta uma tentativa frustrada da acusada, Paloma Farias teria ido até a casa do Almirante, na Folha 16 e dito para ele vender o revólver calibre 38, o mais breve possível, tendo em vista poderia incriminar ao marido dela, o acusado o Rodrigo da Silva.
A tentativa de nada adiantou, pois a Polícia não só conseguiu descobrir onde estava a arma, bem como descobriram quem seria o armeiro, que acabou preso.
Vale lembrar que a investigação foi cercada de todos os cuidados possíveis e praticamente toda a estrutura da Polícia Civil foi disponibilizada para elucidar o caso.
Como o caso ganhou repercussão nacional, diversas declarações foram feitas, inclusive, com um suposto pedido de impeachment por parte do advogado Haroldo Gaia, mas pelo visto não vai ser mais preciso.
“Em momento algum paramos, desde que fomos informados do caso, foi montada uma força tarefa que culminou com as prisões”, saliente Dauriedson Bentes. (E.S.)
Presos:
Rodrigo Carvalho da Silva – acusado de pilotar moto.
Wagner Vieira Matos – acusado de atirar e matar advogado.
Paloma Morais Farias – tentou se acobertar o marido, o Rodrigo.
Raimundo Mariano, o “Almirante”, armeiro.
Moto apreendida
Fazer vinho, placa OTS-1491, pertence ao Rodrigo.
Revólver calibre 38, com diversos cartuchos. Arma deve ser periciada.
terça-feira, 8 de abril de 2014
NIP e GPE caçam matadores de advogado
Desde que aconteceu a morte do advogado George Antonio Machado, assassinado a tiros na noite da última quinta-feira (3) em uma popular churrascaria da Folha 10, Nova Marabá, que a Polícia Civil designou uma equipe de investigadores do Núcleo de Inteligência da Polícia (NIP) e do Grupo de Pronto Emprego (GPE) à Marabá para acompanhar o caso.
À frente da investigação está o delegado Doriedson Bentes. Esta equipe se desdobra para identificar os dois matadores do advogado e tem a missão de só sair da cidade quando os dois acusados estiverem presos.
Por enquanto os policiais mantém o caso longe dos holofotes da imprensa, talvez por isso, o presidente da OAB de Marabá Haroldo Gaia, declara insistidas vezes que a Polícia pouco tem feito para esclarecer o caso, já que ele não tem informações do andamento da investigação.
A reportagem levantou que a equipe está em Marabá desde a última sexta-feira fazendo as buscas e levantamentos e que dois suspeitos já estão praticamente identificados e podem ser presos a qualquer momento.
Por conta deste intenso trabalho de buscas, o caso está sendo tratado com uma verdadeira caçada humana e cedo, ou tarde os acusados devem ser presos.
Em princípio o crime está sendo tratado como latrocínio, apesar de praticamente todos os advogados do sul e sudeste tratarem o caso como sendo uma execução.
George Machado era bastante conhecido em Marabá, sempre levou uma vida pacata e modesta. Optava em não acompanhar casos polêmicos, exatamente para contrariar os princípios morais dele.
Evidentemente que a vida profissional dele foi vasculhada e a Polícia levanta outras hipóteses para o crime, mas a linha mais forte seria a se latrocínio, uma vez que um telefone celular da vítima teria sido roubado.
Um dos assaltantes teria dito ao advogado: “passa o celular”, sendo que George Machado retrucou: “ não tenho” e em seguida o assalto rebateu: “Tem sim, pois passamos e vimos”. Em seguida os estampidos que culminaram com a morte do advogado
Resta saber, contudo, se este telefone celular foi roubado pelos matadores, ou se por algum popular, que costuma se aglomerar próximo de um corpo sem vida.
Independentemente de quem possa ter roubado o telefone, ou se o crime foi latrocínio, ou execução, de certo é que a morte do advogado causou uma grande comoção e revolta entre os advogados que cobram veementemente a elucidação do caso.
Tanto, que o presidente da OAB local, Haroldo Gaia, deu prazo de no máximo trinta dias para que os acusados sejam identificados, ou presos sob pena de ingressar com pedido de impeachment do governador do Estado do Pará, Simão Jatene.
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