terça-feira, 16 de abril de 2013

Polícia elucida caso e prende latrocidas


Polícia diz que Roni Mota sabia que o professor seria roubado

Paulo diz que foi convidado pelo adolescente de 15 anos para roubo




A Polícia Civil de Marabá praticamente elucidou o latrocínio que aconteceu no dia 26 de março, cuja vítima foi o professor Edivan Alves Pereira.
O crime foi um misto de vingança, passional e latrocínio. A vítima matinha uma relação homoafetiva com um adolescente de 15 anos, que por sua vez se relacionava com um cantor.
Até o momento há quatro pessoas presas, sendo dois adolescentes, um de 17 e outro de 15 anos, além do cantor Rone Mota Rodrigues e Paulo Geraldo de Freitas.
Outras duas pessoas foram identificadas como sendo participantes do latrocínio e podem ser presas a qualquer momento, uma vez que a Polícia continua trabalhando no caso, que está praticamente concluído.
O crime foi tão brutal que a vítima foi esfaqueada e o corpo foi esmagado pela própria camionete dele, uma Duster, Renault. Vários objetos foram roubados da casa dele, logo após ter sido assassinado.
Tão logo se espalhou a notícia da morte do professor, que era bastante conhecido em Marabá, inclusive dirigia a Universidade Aberta do Brasil (UAB) a equipe de investigadores comandada pelos delegados José Humberto de Melo Júnior e Ricardo Oliveira do Rosário iniciou a investigação em tempo integral.
Outros - No final do mês de janeiro deste ano, em Bom Jesus do Tocantins, o professor Francisco das Chagas Fernandes foi assassinado e teve a moto roubada.
O braçal Sivaldo Sousa Silva, o “Cachorro louco” foi preso e é apontado pela Polícia como sendo o autor do crime.
Mais recentemente foi assassinado o professor Marcelo Sandro Louzeiro, 38, morto com golpes de arma branca, em Jacundá. Em ambos os casos foram vítimas de latrocínio.


Acusados trocam farpas





O adolescente de 15 anos e Paulo Geraldo de Freitas se acusam mutuamente numa tentativa de minimizar a participação deles no latrocínio.
Paulo Geraldo de Freitas disse que foi convidado pelo adolescente para participar de um roubo, do qual disse que não sabia quem seria a vítima.
Confirmou também que pelo fato de saber dirigir, a participação dele seria para roubar a camionete da vítima.
Contou ainda que ele, o adolescente de 15 anos e mais o professor, seguiram da casa da vítima, no bairro Liberdade até o balneário Geladinho, sendo que o professor dirigia o carro.
Quando chegaram no local, ainda de acordo com versão do acusado, o adolescente de 15 anos efetuou o primeiro golpe no professor, que ainda conseguiu se desvencilhar do cinto de segurança para tentar fugir.
Contudo a vítima já havia sido esfaqueada, caiu e teve o corpo esmagado pelo próprio carro. Paulo de Freitas nega que tenha passado pro cima da vítima, mas admite que sabe dirigir.
O adolescente, por sua vez, admitiu que mantinha uma relação homoafetiva com o professor Edivan Alves Pereira, cujo relacionamento era recente.
Negou que esfaqueou o amado e disse que o crime teria sido praticado por Paulo de Freitas. Confirmou ainda que recentemente o professor teria se desentendido com um cantor do bairro Quilômetro Sete, que também seria homossexual e que o motivo da briga seria por causa dele.



Internet facilitou aproximação com vítima




Bastante calmo e à vontade, o adolescente de 15 anos, acusado de ter planejado e dos executores da morte do professor Edivan Alves Pereira, confirmou que conheceu o professor através de uma sala de bato papo numa rede social a exemplo de infinitos outros relacionamentos que iniciam por meio desta ferramenta.
Por meio deste instrumento, o adolescente que se disse ser homossexual, se relacionava com o professor e passou a frequentar a casa deste seguidas vezes.
Esta mesma versão de como ambos se conheceram foi ratificada pelo delegado Ricardo Oliveira do Rosário que, inclusive pode ter usado estas ferramentas para identificar quem teria interesse em matar o professor.
Outras ferramentas de inteligência também foram usadas nesta investigação, contudo o policial optou em não revelar a fim de não comprometer trabalhos futuros.
O policial adiantou que, quatro dias após o crime, já tinha uma linha de investigação definida e que praticamente identificou o adolescente como um dos prováveis matadores.
Curiosamente, naquele mesmo período o adolescente de 15 anos foi morar em São Geraldo do Araguaia, divisa com o estado do Tocantins, onde foi apreendido.
Os outros dois acusados, Paulo de Freitas e Ronierisson da Silva foram presos em Araguatins e em Marabá. Os outros dois acusados podem ser presos a qualquer momento.
Outro acusado, um adolescente de 15 foi apreendido em São Geraldo do Araguaia, no sudeste do Pará e outro adolescente de 17 anos foi apreendido na madrugada desta quinta-feira (11) em Augustinópolis, no Tocantins.




Homofobia foi descartada pela Polícia




O crime, pelo fato de a vítima ser homossexual, em princípio foi tratado como questão homofóbica, mas o delegado Ricardo do Rosário descartou esta hipótese e informou que na verdade se tratou de um latrocínio. “Eles desejaram o patrimônio do professor”, comenta o delegado.
Os cinco acusados entraram na casa, renderam o professor que foi obrigado a sair com os acusados em direção ao balneário Geladinho, distante pelo menos 20 quilômetros da casa dele, no bairro Liberdade.
Neste local ele foi assassinado e os ladrões, provavelmente retornaram para a casa da vítima onde furtaram diversos objetos de valor entre eles, duas televisões grandes, notebook e uma moto Fan, 150, vinho.
Edivan Pereira levava uma vida reservada, contudo, costumava receber várias visitas na casa dele, a maioria jovens que aproveitavam da vulneralidade do professor e, aparentemente tiravam proveito financeiro.
Quando a notícia da morte dele se espalhou, uma das primeiras linhas de investigação da Polícia foi o provável rompimento de um relacionamento com um parceiro, com o qual conviveu durante quatro anos, mas esta hipótese foi logo descartada.
Restava então outras linhas entre elas a de latrocínio. Na casa do professor não havia sinais de arrombamento. Os policiais deduziram que os invasores tiveram ajuda de alguém que conhecia o professor.
Esta pessoa seria o adolescente de apenas 15 anos, que inclusive mantinha relação homoafetiva com o professor.
Tanto os acusados maiores de idade, quanto os adolescentes devem ser autuados por latrocínio. Os maiores, caso sejam condenados devem ser sentenciados em até trinta anos e os adolescentes, no máximo fica três anos internado.




Ao pai sobrou a dupla frustração





O pai do adolescente quando viu o filho apreendido se disse frustrado, triste, mas ao mesmo conformado pelo fato de o filho ai ser internado no CIAM e receberá diversos tipos de atendimentos que dificilmente ele teria condições de custeá-lo.
Contou que sai, todos os dias, por volta das 5 horas da madrugada para trabalhar em um frigorífico e só retorna para casa no final da tarde e à noite estudava, portanto não tinha condições de acompanhar a rotina do filho.
No tocante à orientação sexual do adolescente disse que desconfiava, mas ainda não tinha conversado abertamente com o filho. “É lamentável, a gente cria e os filhos fogem ao nosso controle”, comenta.
Por fim, disse que o filho dele saiu de casa e mantinha amizades com homossexuais, pessoas acusadas de roubo, entre outros e que aparentemente pretendia levar uma vida independente e acabou se encalacrando com a Justiça.




Presos e apreendidos




Paulo Geraldo de Freitas o Paulinho

Ronierisson Rocha da Silva (taxista – liberado)

Rone Mota Rodrigues (cantor)

Um adolescente de 17 anos

Um adolescente de 15 anos





Objetos roubados




2 - Televisões de última geração – 1 foi recuperada

2 - Câmeras fotográficas

1 – Câmera filmadora

1 – Microndas

1 – Datashow

1 – Moto Fan, 150

Estelionatário é profissional




Glauco não conjuga o verbo trabalhar; o negócio dele é dar o golpe


Glauco Sérgio Rodrigues Gatz é o que se pode dizer de um profissional quando o assunto é aplica golpe em terceiros.
Em 2007 ele foi preso pela mesma acusação: dar calote em comerciantes de Marabá. Na última sexta-feira (12) ele foi preso após comprar duas roçadeiras de uma loja na Folha 29, Nova Marabá.
Ele se fez passar por chefe de compras do Incra de Marabá e usou documentos falsos nesta transação.
Nos dias 22 e 28 de fevereiro, ele efetuou compras numa loja de material de construção do bairro Cidade Nova e retirou pessalmente as mercadorias. As duas compras perfizeram pelo menos R$ 31 mil.
Os vendedores e gerente desta loja não desconfiaram de nada, uma vez que o espertalhão apresentou diversos documentos que indicariam ser do Incra e que de fato se tratava de uma compra legal.
Somente no início deste mês, quando a direção desta loja foi receber as notas é que percebeu se tratar de um golpe que o acusado tinha falsificado os documentos.
Com o acusado a Polícia apreendeu diversos objetos que teriam sido comprados de forma irregular. Boa parte dos materiais não foi localizado uma vez que foi vendido para duas pessoas em Parauapebas.
Glauco Gatz não quiz conversar com a imprensa e que só iria se pronunciar em juízo. Ele foi autuado por estelionato e uso de documento falso.
A reportagem levantou que o acusado tinha amplo conhecimento a respeito da rotina do Incra e de como funcionaria o processo de compra uma vez que tinha parentes trabalhando para este órgão federal, motivo pelo qual articulou as compras.





Ressocialização através do trabalho



Acontece no próximo dia 26 em Marabá o I Seminário de Execução Penal de Marabá. O evento é uma realização do Tribunal de Justiça do Estado, por meio da 7ª Vara de Execuções Penais em parceria com o Conselho da Comunidade.
Vários assuntos serão debatidos neste evento que acontece no Fórum de Marabá, entre eles a ressocialização de egressos do Sistema Penal.
Em Marabá são pelo menos 200 egressos que almejam dias melhores e passam por dificuldades quando o assunto é realocação no mercado de trabalho.
Visando dar mais oportunidades a estas pessoas, que no passado cometeram erros, as autoridades se unem nesta perspectiva.
Sabidamente há uma carga enorme de preconceito quando o assunto é contratar egressos do Sistema Penal.
São estes tabus que precisam ser rompidos a fim de permitir que estas pessoas possam retornar para a sociedade de cabeça erguida e sem culpas por conta de erros do passado.
Para este evento, devem ser convidados empresários marabaenses, uma vez que uma das exigências do Sistema Penal do Pará é com relação ao emprego formal que o egresso deve conseguir e provar à Justiça que leva uma nova vida.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

GTO impõe respeito e detentos desistem de fuga em Marabá




A simples presença de militares do Grupo Tático Operacional (GTO) de Marabá no Centro de Recuperação de Marabá (CRM) demoveu os detentos que estavam amotinados e planejavam uma fuga em massa na modalidade “cavalo doido”.
Os presos que estavam na cela 10, saíram das celas, serraram 14 cadeados e se preparavam para fugir, contudo foram descobertos e os militares acionados até aquela cadeia em Marabá.
Pronto, foi suficiente para que eles desistissem do motim e retornassem para as respectivas celas. Tudo aconteceu na madruga da última quarta-feira (10).
A direção daquela casa penal registrou ocorrência sobre o assunto e identificou os seguintes presos que estavam amotinados: Kayky Barbosa Carvalho, Jhonatan Moreira Silva, Semir Pereira da Silva, Roberto Carlos Combarcie, Maurício Barbosa Vieira, Jurandy Rabelo de Souza, João Batista dos Prazeres, Paulo Ramos de Oliveira e Josiel Pereira Albuquerque.
De acordo com o diretor interino do CRM, Sinei Simões, os detentos devem responder por dano ao patrimônio público, já que destruíram 14 cadeados ao custo de R$ 35,00 cada um.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Caso extrativistas: Inocentado fala do julgamento

José Rodrigues (E) disse que fé em Deus o ajudou no cárcere 


Pela primeira vez após ser inocentado em tribunal do júri que inocentou o colono José Rodrigues Moreira, 44 anos falou a respeito do assunto.

A entrevista aconteceu no início da noite desta quarta-feira no escritório dos advogados, Arnaldo Ramos Barros Júnior e Wandergleisson Fernandes.
Em parceria com uma equipe de televisão da RBA TV a entrevista ocorreu no início da noite. Por uma questão de parceria com a emissora este pôster só deve publicar a matéria na próxima sexta-feira 12, inclusive com vídeo da conversa.
Entre outras declarações, José Rodrigues diz que não mandou matar ninguém, confiou em Deus para ser absolvido e que não guarda mágoa de nenhuma pessoa que lhe acusou. É aguardar e conferir.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Caso extrativistas: Dois condenados e um “inocente”


Neguinho e Natinho, condenados e José Rodrigues, lire




O resultado do julgamento dos acusados de ter matado o a extrativistas, José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foi o que se pode chamar de mais imprevisível possível, tendo em vista que o acusado de ser o mandante foi inocentado.
José Rodrigues Moreira foi absolvido. A mesma sorte, porém não teve o irmão dele, Lindonjonson Moreira Rocha, o Natinho condenado a 42 anos e 8 meses, bem como o braçal Alberto Lopes do Nascimento, o Neguinho, condenado a 45 anos de prisão em regime fechado.
Os dois acusados foram apontados na sentença prolatada pelo juiz Murilo Lemos Simão, titular da Vara de Violência Doméstica como sendo, autor e co-autor do duplo homicídio.
O casal de extrativista foi morto em maio de 2011, quando passavam numa precária ponte de madeira, na vicinal Maçaramduba quando seguiam para Nova Ipixuna.
“É sempre assim os mais fracos pagam, pois as pessoas, muitas vezes hesitam em condenar os verdadeiros mandantes”, comentou o promotor Danyllo Pompeu Colares ao término do julgamento numa clara demonstração de total decepção com o resultado. Ele pretende recorrer e apelar a fim de que o mandante novamente seja julgado. (Ver Box)
Sabidante, o casal de extrativista tinha uma atuação contundente quando o assunto era defender a floresta, bem como impedir a venda de lotes dentro do assentamento Praialta Piranheira, em Nova Ipixuna onde foram assassinados em maio de 2011.
O principal acusado de ser o mandante do duplo assassinato teria comprado três lotes neste assentamento por R$ 100 mil e foi alertado que naquela área, as terras não poderiam ser vendidas o que teria gerado uma contenda entre o casal e o acusado José Rodrigues.
Esta negociação que teria sido feita entre José Rodrigues e a cartorária Neusa Santis foi bastante abordada durante os dois dias de julgamento.
O debate da fase final do julgamento iniciou na manhã de quinta-feira (4) e encerrou às 15h15, tendo a acusação desistiu da tréplica evitando assim exaustivas quatro horas de debates, o que contribuiu para a celeridade do julgamento.
“Preferimos desistir da tréplica para evitar que a defesa continuasse mentindo por mais duas horas”, desabafou o promotor.
Durante o debate houve alguns momentos de tensão com direito a troca de farpas entre a acusação e a defesa.
Entre elas a venda dos lotes, que foi muita questionada e indiretamente direcionada ao advogado Erivaldo Santis, primo de Neusa Santis.
Quando se pronunciou o advogado deixou claro que não tem bom relacionamento com a prima, e, portanto pouco sabia, e não se envolve nos negócios desta.
Ele tentou, de todas as formas mostrar aos jurados que o cliente dele, Alberto Lopes do Nascimento, mal sabia assinar o nome e que em momento algum, não foi identificado por nenhuma das trezes testemunhas.
Ele é um coitado que nem mesmo sabe o que está sendo discutido aqui, ninguém o apontou como sendo o matado, não há prova alguma contra ele”, contestou.
Por sua vez, os advogados Wandergleisson Fernandes e Arnaldo Ramos defenderam os irmãos, sustentaram a tese de negativa de autoria.
O papel deles seria desmontar a acusação, inclusive comentaram a respeito da pressão midiática que o caso tomou por conta da atuação das vítimas em se tratando da preservação ambiental.
“Não estamos aqui questionando o papel deles, mas sim discutindo o caso, quem matou e porque matou o casal”, comento Arnaldo Ramos.
A respeito da pressão da mídia internacional, comentou que estava em jogo “A Internacionalização da Amazônia” uma vez que para ele, há milhares de ONGs de olho na Amazônia.
Questionou, evidentemente o trabalho policial, que para ele, poderia ser melhor investigado o caso e de fato identifica os verdadeiros mandantes e autores deste crime.
“Foi dito aqui que um grupo de madeireiros costuma tirar madeira do assentamento, mas é conveniente prender pessoas pobres ao invés de prenderem os verdadeiros mandantes os poderosos de Nova Ipixuna”, comentou.
Mas apesar dos esforços dos advogados de defesa apenas o acuado foi inocentado. “Temos convicção que eles são inocentes”, declaram.
Pelo menos dois depoimentos foram conclusivos para o júri, composto de quatro mulheres e três homens, condenar os acusados.
Primeiro o cunhado do casal, José Maria Gomes Sampaio e do ex-vereador Valdemir de Jesus Ferreira, que confirmaram a contenda entre o casal e o acusado José Rodrigues tendo como pivô a compra dos lotes.
Valdemir Ferreira confirmou que recebeu uma visita do acusado, que lhe pediu para intermediar um acordo com o casal de extrativistas e que ele José Rodrigues ficasse no lote.
“Na época (em 2010) disse para ele que lá era assentamento e que não podiam ser vendidos os lotes”, comentou para em seguida reafirmar o descontentamento deste em relação à postura do casal.
De Joelhos - Durante a oitiva de José Rodrigues, este protagonizou um episódio até então pouco comum em julgamento. De joelhos, chorou, orou e clamou se dizendo inocente. Ele se converteu recentemente ao evangelho.
Tal comportamento foi interpretado pelo promotor Danyllo Colares como mera encenação para tentar convencer os jurados, sobretudo as mulheres.
Inclusive, o promotor, reafirmou tal postura do acusado durante entrevista coletiva e considerou apelativa a postura do acusado, que aos olhos dele, conseguiu obter a complacência dos jurados.


Julgamento pode ser anulado





Mas se depender da vontade dos representantes do Ministério Público os três acusados podem ser julgados pelo mesmo crime num curto espaço de tempo.
“Consignamos em ata o nosso recurso para que o acusado José Rodrigues Moreira possa novamente ser julgado, pois consideramos que há várias provas nos autos contra ele”, confirmou Danyllo Colares.
Este recurso deve ser direcionado ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE), que pode julgar ainda este ano.
De igual modo os advogados de defesa disseram que também pretendem apelar ao TJE, pois entendem que os acusados são inocentes e que a decisão dos jurados foi contrária aos autos do processo.
“Inclusive nós tínhamos mais argumentos para provar que os acusados são inocentes, mas como não houve réplica, então a defesa não pode mostrá-los, o que deve acontecer em outra oportunidade”, comentou o advogado Wandergleisson Fernandes.





Absolvição coloca em risco vida de extrativista





A absolvição do principal acusado de ser o mandante da morte do casal de extrativista pode efeitos catastróficos à professora Laisa Santos Sampaio, que por várias vezes denunciou que estava sendo ameaçada de morte.
A preocupação dela é pertinente para diversos amigos próximos, pois ela continua morando no Projeto de Assentamento Praialta Piranheira e muito provavelmente José Rodrigues deve retornar com a família.
Inclusive a esposa dele, Antonia Nery foi assentada pelo Incra no final de 2011, conforme foi amplamente noticiado na imprensa.
Ao final do julgamento, Laisa Sampaio teve de ser amparada por amigos. Na primeira noite, inclusive, foi medicada após depor. Ela também confirmou a situação de tensão entre o casal e o acusado.
Parentes – Por sua vez, os parentes dos acusados, Lindonjonson e José Rodrigues não quiseram conversar com a imprensa e se mantiveram recolhidos num canto do Fórum.
Oficiosamente, porém o pai dos irmãos, Leonardo Moreira, disse que os filhos eram inocentes e que desejava tê-lo de volta ao convívio familiar.




Tumulto na porta do Fórum





Após a promulgação da sentença, manifestantes ligados a diversos movimentos sociais arremessaram pedras nos vidros do Fórum. Até a sentença não houve nenhum incidente.
A parede de entrada principal do prédio também foi pichada numa clara demonstração de repúdio ao veredicto final.
Tropas do Choque mantiveram plantão durante o julgamento e repeliram a ação dos manifestantes, contudo não houve registro de prisão, ou pessoa ferida, já que a ação foi rápida.
Punição - Por telefone, ainda na noite de quinta-feira, o juiz Marcelo Andrei Simão Santos, diretor do Fórum de Marabá classificou o ato de vandalismo como uma afronta à Justiça.
“É um atentado contra a Justiça, tentar linkar o juiz com o resultado de um julgamento é desconhecer por completo como se realiza um julgamento, afinal quem julga é a sociedade e não o juiz”, comentou.
Por fim o magistrado lembrou que em hipótese alguma o episódio deve passar impune.
“Não vamos deixar barato, usar de violência para protestar não é o caminho”, afirma dizendo que vai requerer imagens para tentar identificar os responsáveis pelo ato de vandalismo.
As tropas de Choque ficaram de prontidão durante toda a noite a fim de conter e evitar novos protestos, o que não se confirmou.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Caso extrativistas: julgamento cercado de muita segurança



O juiz titular da Vara de Violência Doméstica, Murilo Lemos Simão deve presidir o julgamento dos acusados de ter matado o casal de extrativistas, José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, mortos no dia 24 de maio de 2011 no PA Praialtapiranheira, em Nova Ipixuna.
Sentam no banco dos réus, no próximo dia 3 de abril, os irmãos José Rodrigues Moreira e Lindonjhonson Silva, além do braçal Alberto Lopes do Nascimento, o Neguinho. O julgamento está sendo cercado de muito cuidado e atenção devido a grande repercussão que o caso ganhou na imprensa mundial.
Diante deste facho de luz sobre o caso, o juiz está ultimando os preparativos a fim de garantir a paz e ordem na Comarca de Marabá, uma vez que está prevista a chegada de várias ONG’s e jornalistas do mundo todo para a cobertura jornalística.
Pra se ter uma ideia, ontem pela manhã, diversos veículos de comunicação enviaram uma relação de pelo menos vinte jornalistas para cobrirem o julgamento. O documento foi protocolado pelo jornalista Felipe Milanez. Em nível local a TV RBA deve transmitir flashes ao vivo do julgamento.
Contudo, é intenção do juiz evitar a coleta de imagens de dentro do Tribunal do Júri e permitir somente no final do julgamento. A medida, segundo informou o juiz diretor do Fórum de Marabá, Marcelo Andrei Simão Santos é evitar eventuais tumultos, ou qualquer tipo de problema no que diz respeito à segurança.
Em se tratando de segurança, ontem pela manhã, representantes dos diversos órgãos de segurança pública definiram algumas medidas que visam manter a paz e a ordem durante o julgamento.
Entre estas medidas, segundo informou o tenente coronel Luís Cleber Acádio Barbosa estão o cordão de isolamento que deve ser feito em frente ao Fórum onde só podem transitar veículos oficiais e ambulâncias.
Até mesmo o acesso dos acusados, advogados e funcionários deve acontecer pela parte dos fundos do Fórum, uma vez que na frente devem se concentrar os simpatizantes do casal de extrativistas.
Até mesmo a rodovia BR-222, em frente ao Fórum poderá ser bloqueada. Ainda de acordo com o oficial, todas as pessoas que se concentrarem em frente ao Fórum, serão revistadas e nenhum tipo de artefato que possa ser usado como arma será permitida, como foices, ou facões.
De sua parte o advogado José Batista Gonçalves Afonso, que deve atuar como assistente de acusação no julgamento informou que vai manter contato com as várias lideranças ligadas aos movimentos sociais a fim de que tudo seja providenciado para evitar quaisquer problemas com as autoridades de segurança pública.
O advogado adiantou que tendas devem ser montadas na frente do Fórum, bem como cadeias devem ser colocadas aos expectadores e desta forma possam acompanhar o julgamento com o mínimo de conforto.
Por seu turno, o juiz Marcelo Andrei lembra que todas as medidas são preventivas e têm como objetivo manter a segurança e nunca cercear o trabalho da imprensa que deve acompanhar a par e passo o julgamento.


Acusados negam o crime



Os irmãos José Rodrigues Moreira e Lindonjhonson Silva negaram que tinham interesse em matar, ou mandar matar o casal de extrativistas, José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinados no dia 24 de maio de 2011.
José Rodrigues informou que não tinha nenhum tipo de desavença com o casal de extrativistas e não mandou matá-los. “Sou trabalhador, comprei o lote para poder trabalhar e sustentar a minha família”, comentou.
Negou ainda que havia um grupo interessado na morte do casal e que mantinha uma pequena parcela de terra onde criava algumas cabeças de gado no assentamento Praialtapiranheira, cuja propriedade é a principal fonte de renda dele e da família.
O irmão dele também negou o crime e disse que não tinha ideia porque foi denunciado. “Não conhecia o casal e nunca tive nenhum desentendimento com eles, nunca matei ninguém”, comentou.
José Claudio e Maria do Espírito Santo viviam do extrativismo no assentamento Praialtapiranheira em Nova Ipixuna e combatiam a venda de lotes rurais, bem como defendiam a preservação da floresta.
Consta no processo, que José Rodrigues comprou três lotes neste assentamento. O casal de extrativista se opunha à venda de lotes e derrubada da floresta e constantemente denunciava o desmatamento ao Ibama de Marabá.
Por conta desta postura, eram tidos como personas non gratas por madeireiros daquela região e podem ter sido assassinados em rime de pistolagem.


Irmãos de extrativistas foragidos da Justiça


A quando do assassinato do casal de extrativistas, José Claudio e Maria do Espírito Santo, no dia 24 de maio de 2011, um homicídio veio à tona: a morte do colono Edilon Ribeiro de Souza, o Pelado, morto a tiros no dia 18 de setembro de 2009 dentro do assentamento Mamona em Nova Ipixuna.
Figura como acusados deste crime o falecido José Claudio Ribeiro da Silva e os irmãos dele: Edivaldo, Claudemir e Claudionor Ribeiro da Silva.
Por conta deste crime, o juiz Murilo Lemos Simão Santos decretou as prisões preventivas dos acusados no dia 7 de outubro de 2011 e são considerados foragidos de Justiça.
A decisão do juiz é embasada em vários depoimentos e indícios de participação dos acusados no crime.
O que teria motivado o homicídio foi uma disputa de um lote rural, entre a vítima e o acusado Edivaldo da Silva, o Marabá.
Pelado, de acordo com informações do processo, morava em metade de um lote, sendo que a outra parte seria do Marabá.
Ocorre que naquele ano, de alguma forma, o Pelado conseguiu ser assentado no lote o que teria causado a ira dos irmãos e de José Claudio.
O depoimento mais contundente é do irmão do Pelado, Manoel Ribeiro de Souza, que disse ter visto os quatro irmãos armados e ouviu tiros vindos da casa do irmão dele no dia em que foi assassinado.
Para a Polícia, Manoel de Souza narrou detalhes desse crime. Disse que quando ouviu os tiros, correu pra ver o que tinha ocorrido com o irmão dele e se deparou com os quatro irmãos armados.
Ele contou que se fez passar por um trabalhador rural contratado pelo irmão dele e que não conhecia o Pelado. O disfarce, segundo ele, foi para também não ser assassinado.
“Eles me perguntaram quem eu era, disse que era apenas um trabalhador”, argumentou dizendo que foi embora para Itupiranga e só retornou à noite para apanhar o corpo do irmão dele.
Fontes segura informou que à época do crime não houve nenhuma movimentação policial para tentar esclarecer o que houve no local e quem seriam os suspeitos. Parentes do Pelado resgataram o corpo que foi velado e sepultado em Itupiranga.
Por seu turno a reportagem levantou que tramita na 5ª Vara Penal de Marabá um pedido de revogação das prisões preventivas dos três irmãos de José Claudio.
Caso o pedido seja indeferido a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que defende os interesses dos irmãos, deve encaminhar o pedido ao Tribunal de Justiça do Estado (TJE).
Para o advogado desta entidade, José Batista Gonçalves Afonso, não será nenhuma novidade que esta situação for usada durante o julgamento.
“É uma prática comum em julgamentos a defesa tentar inverter os papéis, ou seja, transformam as vítimas em acusados”, comentou se dizendo confiante em provar que os irmãos não cometeram o crime.